Boa Leitura

Gênesis

Capítulos 1 ao 50

CAP-1

¹ No princípio criou Deus os céus e a terra. ² E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. ³ E disse Deus: Haja luz; e houve luz. ⁴ E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. ⁵ E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. ⁶ E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. ⁷ E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. ⁸ E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. ⁹ E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. ¹⁰ E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. ¹¹ E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. ¹² E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. ¹³ E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro. ¹⁴ E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. ¹⁵ E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. ¹⁶ E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. ¹⁷ E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, ¹⁸ E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom. ¹⁹ E foi a tarde e a manhã, o dia quarto. ²⁰ E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. ²¹ E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. ²² E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. ²³ E foi a tarde e a manhã, o dia quinto. ²⁴ E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. ²⁵ E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. ²⁶ E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. ²⁷ E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. ²⁸ E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. ²⁹ E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. ³⁰ E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. ³¹ E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

CAP-2

¹ Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. ² E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. ³ E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera. ⁴ Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus, ⁵ E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra. ⁶ Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra. ⁷ E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. ⁸ E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. ⁹ E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. ¹⁰ E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. ¹¹ O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. ¹² E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica. ¹³ E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. ¹⁴ E o nome do terceiro rio é Hidequel; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates. ¹⁵ E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. ¹⁶ E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, ¹⁷ Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. ¹⁸ E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. ¹⁹ Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. ²⁰ E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. ²¹ Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; ²² E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. ²³ E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. ²⁴ Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. ²⁵ E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.

CAP-3

¹ Ora, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? ² E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, ³ Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. ⁴ Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. ⁵ Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. ⁶ E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. ⁷ Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. ⁸ E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. ⁹ E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? ¹⁰ E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. ¹¹ E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? ¹² Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. ¹³ E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. ¹⁴ Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. ¹⁵ E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. ¹⁶ E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. ¹⁷ E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. ¹⁸ Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. ¹⁹ No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. ²⁰ E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes. ²¹ E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu. ²² Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente, ²³ O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado. ²⁴ E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.

CAP-4

¹ E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do Senhor um homem. ² E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. ³ E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. ⁴ E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. ⁵ Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. ⁶ E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? ⁷ Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. ⁸ E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou. ⁹ E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? ¹⁰ E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. ¹¹ E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. ¹² Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra. ¹³ Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada. ¹⁴ Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará. ¹⁵ O Senhor, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse. ¹⁶ E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. ¹⁷ E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque; ¹⁸ E a Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael e Metusael gerou a Lameque. ¹⁹ E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá. ²⁰ E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado. ²¹ E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão. ²² E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema. ²³ E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras; porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. ²⁴ Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete. ²⁵ E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ela deu à luz um filho, e chamou o seu nome Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou. ²⁶ E a Sete também nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos; então se começou a invocar o nome do Senhor.

CAP-5

¹ Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. ² Homem e mulher os criou; e os abençoou e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados. ³ E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete. ⁴ E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos, e gerou filhos e filhas. ⁵ E foram todos os dias que Adão viveu, novecentos e trinta anos, e morreu. ⁶ E viveu Sete cento e cinco anos, e gerou a Enos. ⁷ E viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos, e gerou filhos e filhas. ⁸ E foram todos os dias de Sete novecentos e doze anos, e morreu. ⁹ E viveu Enos noventa anos, e gerou a Cainã. ¹⁰ E viveu Enos, depois que gerou a Cainã, oitocentos e quinze anos, e gerou filhos e filhas. ¹¹ E foram todos os dias de Enos novecentos e cinco anos, e morreu. ¹² E viveu Cainã setenta anos, e gerou a Maalalel. ¹³ E viveu Cainã, depois que gerou a Maalalel, oitocentos e quarenta anos, e gerou filhos e filhas. ¹⁴ E foram todos os dias de Cainã novecentos e dez anos, e morreu. ¹⁵ E viveu Maalalel sessenta e cinco anos, e gerou a Jerede. ¹⁶ E viveu Maalalel, depois que gerou a Jerede, oitocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas. ¹⁷ E foram todos os dias de Maalalel oitocentos e noventa e cinco anos, e morreu. ¹⁸ E viveu Jerede cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque. ¹⁹ E viveu Jerede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos, e gerou filhos e filhas. ²⁰ E foram todos os dias de Jerede novecentos e sessenta e dois anos, e morreu. ²¹ E viveu Enoque sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém. ²² E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. ²³ E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. ²⁴ E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou. ²⁵ E viveu Matusalém cento e oitenta e sete anos, e gerou a Lameque. ²⁶ E viveu Matusalém, depois que gerou a Lameque, setecentos e oitenta e dois anos, e gerou filhos e filhas. ²⁷ E foram todos os dias de Matusalém novecentos e sessenta e nove anos, e morreu. ²⁸ E viveu Lameque cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho, ²⁹ A quem chamou Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou. ³⁰ E viveu Lameque, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco anos, e gerou filhos e filhas. ³¹ E foram todos os dias de Lameque setecentos e setenta e sete anos, e morreu. ³² E era Noé da idade de quinhentos anos, e gerou Noé a Sem, Cão e Jafé.

CAP-6

¹ E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, ² Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. ³ Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos. ⁴ Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. ⁵ E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. ⁶ Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. ⁷ E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. ⁸ Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor. ⁹ Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus. ¹⁰ E gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé. ¹¹ A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. ¹² E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. ¹³ Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra. ¹⁴ Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. ¹⁵ E desta maneira a farás: De trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinquenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. ¹⁶ Farás na arca uma janela, e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares, baixo, segundo e terceiro. ¹⁷ Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará. ¹⁸ Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo. ¹⁹ E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão. ²⁰ Das aves conforme a sua espécie, e dos animais conforme a sua espécie, de todo o réptil da terra conforme a sua espécie, dois de cada espécie virão a ti, para os conservar em vida. ²¹ E leva contigo de toda a comida que se come e ajunta-a para ti; e te será para mantimento, a ti e a eles. ²² Assim fez Noé; conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.

CAP-7

¹ Depois disse o Senhor a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração. ² De todos os animais limpos tomarás para ti sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea. ³ Também das aves dos céus sete e sete, macho e fêmea, para conservar em vida sua espécie sobre a face de toda a terra. ⁴ Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substância que fiz. ⁵ E fez Noé conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenara. ⁶ E era Noé da idade de seiscentos anos, quando o dilúvio das águas veio sobre a terra. ⁷ Noé entrou na arca, e com ele seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, por causa das águas do dilúvio. ⁸ Dos animais limpos e dos animais que não são limpos, e das aves, e de todo o réptil sobre a terra, ⁹ Entraram de dois em dois para junto de Noé na arca, macho e fêmea, como Deus ordenara a Noé. ¹⁰ E aconteceu que passados sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio. ¹¹ No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram, ¹² E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. ¹³ E no mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e as três mulheres de seus filhos. ¹⁴ Eles, e todo o animal conforme a sua espécie, e todo o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil que se arrasta sobre a terra conforme a sua espécie, e toda a ave conforme a sua espécie, pássaros de toda qualidade. ¹⁵ E de toda a carne, em que havia espírito de vida, entraram de dois em dois para junto de Noé na arca. ¹⁶ E os que entraram eram macho e fêmea de toda a carne, como Deus lhe tinha ordenado; e o Senhor o fechou dentro. ¹⁷ E durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as águas e levantaram a arca, e ela se elevou sobre a terra. ¹⁸ E prevaleceram as águas e cresceram grandemente sobre a terra; e a arca andava sobre a face das águas. ¹⁹ E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos. ²⁰ Quinze côvados acima prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos. ²¹ E expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de feras, e de todo o réptil que se arrasta sobre a terra, e todo o homem. ²² Tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu. ²³ Assim foi destruído todo o ser vivente que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca. ²⁴ E prevaleceram as águas sobre a terra cento e cinquenta dias.

CAP-8

¹ E lembrou-se Deus de Noé, e de todos os seres viventes, e de todo o gado que estavam com ele na arca; e Deus fez passar um vento sobre a terra, e aquietaram-se as águas. ² Cerraram-se também as fontes do abismo e as janelas dos céus, e a chuva dos céus deteve-se. ³ E as águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra, e ao fim de cento e cinquenta dias minguaram. ⁴ E a arca repousou no sétimo mês, no dia dezessete do mês, sobre os montes de Ararate. ⁵ E foram as águas indo e minguando até ao décimo mês; no décimo mês, no primeiro dia do mês, apareceram os cumes dos montes. ⁶ E aconteceu que ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela da arca que tinha feito. ⁷ E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra. ⁸ Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra. ⁹ A pomba, porém, não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas estavam sobre a face de toda a terra; e ele estendeu a sua mão, e tomou-a, e recolheu-a consigo na arca. ¹⁰ E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca. ¹¹ E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra. ¹² Então esperou ainda outros sete dias, e enviou fora a pomba; mas não tornou mais a ele. ¹³ E aconteceu que no ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, as águas se secaram de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta. ¹⁴ E no segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca. ¹⁵ Então falou Deus a Noé dizendo: ¹⁶ Sai da arca, tu com tua mulher, e teus filhos e as mulheres de teus filhos. ¹⁷ Todo o animal que está contigo, de toda a carne, de ave, e de gado, e de todo o réptil que se arrasta sobre a terra, traze fora contigo; e povoem abundantemente a terra e frutifiquem, e se multipliquem sobre a terra. ¹⁸ Então saiu Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com ele. ¹⁹ Todo o animal, todo o réptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre a terra, conforme as suas famílias, saiu para fora da arca. ²⁰ E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar. ²¹ E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz. ²² Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão.

CAP-9

¹ E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra. ² E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues. ³ Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde. ⁴ A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis. ⁵ Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. ⁶ Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem. ⁷ Mas vós frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e multiplicai-vos nela. ⁸ E falou Deus a Noé e a seus filhos com ele, dizendo: ⁹ E eu, eis que estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós. ¹⁰ E com toda a alma vivente, que convosco está, de aves, de gado, e de todo o animal da terra convosco; com todos que saíram da arca, até todo o animal da terra. ¹¹ E eu convosco estabeleço a minha aliança, que não será mais destruída toda a carne pelas águas do dilúvio, e que não haverá mais dilúvio, para destruir a terra. ¹² E disse Deus: Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós, e entre toda a alma vivente, que está convosco, por gerações eternas. ¹³ O meu arco tenho posto nas nuvens; este será por sinal da aliança entre mim e a terra. ¹⁴ E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, aparecerá o arco nas nuvens. ¹⁵ Então me lembrarei da minha aliança, que está entre mim e vós, e entre toda a alma vivente de toda a carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio para destruir toda a carne. ¹⁶ E estará o arco nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar da aliança eterna entre Deus e toda a alma vivente de toda a carne, que está sobre a terra. ¹⁷ E disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança que tenho estabelecido entre mim e entre toda a carne, que está sobre a terra. ¹⁸ E os filhos de Noé, que da arca saíram, foram Sem, Cão e Jafé; e Cão é o pai de Canaã. ¹⁹ Estes três foram os filhos de Noé; e destes se povoou toda a terra. ²⁰ E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. ²¹ E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. ²² E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora. ²³ Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai. ²⁴ E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera. ²⁵ E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. ²⁶ E disse: Bendito seja o Senhor Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. ²⁷ Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. ²⁸ E viveu Noé, depois do dilúvio, trezentos e cinquenta anos. ²⁹ E foram todos os dias de Noé novecentos e cinquenta anos, e morreu.

CAP-10

¹ Estas, pois, são as gerações dos filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé; e nasceram-lhes filhos depois do dilúvio. ² Os filhos de Jafé são: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras. ³ E os filhos de Gomer são: Asquenaz, Rifate e Togarma. ⁴ E os filhos de Javã são: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim. ⁵ Por estes foram repartidas as ilhas dos gentios nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações. ⁶ E os filhos de Cão são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. ⁷ E os filhos de Cuxe são: Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá; e os filhos de Raamá: Sebá e Dedã. ⁸ E Cuxe gerou a Ninrode; este começou a ser poderoso na terra. ⁹ E este foi poderoso caçador diante da face do Senhor; por isso se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. ¹⁰ E o princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar. ¹¹ Desta mesma terra saiu à Assíria e edificou a Nínive, Reobote-Ir, Calá, ¹² E Resen, entre Nínive e Calá (esta é a grande cidade). ¹³ E Mizraim gerou a Ludim, a Anamim, a Leabim, a Naftuim, ¹⁴ A Patrusim e a Casluim (donde saíram os filisteus) e a Caftorim. ¹⁵ E Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete; ¹⁶ E ao jebuseu, ao amorreu, ao girgaseu, ¹⁷ E ao heveu, ao arqueu, ao sineu, ¹⁸ E ao arvadeu, ao zemareu, e ao hamateu, e depois se espalharam as famílias dos cananeus. ¹⁹ E foi o termo dos cananeus desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza; indo para Sodoma e Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa. ²⁰ Estes são os filhos de Cão segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações. ²¹ E a Sem nasceram filhos, e ele é o pai de todos os filhos de Éber, o irmão mais velho de Jafé. ²² Os filhos de Sem são: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã. ²³ E os filhos de Arã são: Uz, Hul, Geter e Más. ²⁴ E Arfaxade gerou a Selá; e Selá gerou a Éber. ²⁵ E a Éber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joctã. ²⁶ E Joctã gerou a Almodá, a Selefe, a Hazarmavé, a Jerá, ²⁷ A Hadorão, a Usal, a Dicla, ²⁸ A Obal, a Abimael, a Sebá, ²⁹ A Ofir, a Havilá e a Jobabe; todos estes foram filhos de Joctã. ³⁰ E foi a sua habitação desde Messa, indo para Sefar, montanha do oriente. ³¹ Estes são os filhos de Sem segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, nas suas terras, segundo as suas nações. ³² Estas são as famílias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, nas suas nações; e destes foram divididas as nações na terra depois do dilúvio.

CAP-11

¹ E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. ² E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali. ³ E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal. ⁴ E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. ⁵ Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; ⁶ E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. ⁷ Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. ⁸ Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. ⁹ Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra. ¹⁰ Estas são as gerações de Sem: Sem era da idade de cem anos e gerou a Arfaxade, dois anos depois do dilúvio. ¹¹ E viveu Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos, e gerou filhos e filhas. ¹² E viveu Arfaxade trinta e cinco anos, e gerou a Selá. ¹³ E viveu Arfaxade depois que gerou a Selá, quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. ¹⁴ E viveu Selá trinta anos, e gerou a Éber; ¹⁵ E viveu Selá, depois que gerou a Éber, quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. ¹⁶ E viveu Éber trinta e quatro anos, e gerou a Pelegue. ¹⁷ E viveu Éber, depois que gerou a Pelegue, quatrocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas. ¹⁸ E viveu Pelegue trinta anos, e gerou a Reú. ¹⁹ E viveu Pelegue, depois que gerou a Reú, duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas. ²⁰ E viveu Reú trinta e dois anos, e gerou a Serugue. ²¹ E viveu Reú, depois que gerou a Serugue, duzentos e sete anos, e gerou filhos e filhas. ²² E viveu Serugue trinta anos, e gerou a Naor. ²³ E viveu Serugue, depois que gerou a Naor, duzentos anos, e gerou filhos e filhas. ²⁴ E viveu Naor vinte e nove anos, e gerou a Terá. ²⁵ E viveu Naor, depois que gerou a Terá, cento e dezenove anos, e gerou filhos e filhas. ²⁶ E viveu Terá setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor, e a Harã. ²⁷ E estas são as gerações de Terá: Terá gerou a Abrão, a Naor, e a Harã; e Harã gerou a Ló. ²⁸ E morreu Harã estando seu pai Terá ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos caldeus. ²⁹ E tomaram Abrão e Naor mulheres para si: o nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca, filha de Harã, pai de Milca e pai de Iscá. ³⁰ E Sarai foi estéril, não tinha filhos. ³¹ E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali. ³² E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos, e morreu Terá em Harã.

CAP-12

¹ Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. ² E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. ³ E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. ⁴ Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã. ⁵ E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e chegaram à terra de Canaã. ⁶ E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra. ⁷ E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera. ⁸ E moveu-se dali para a montanha do lado oriental de Betel, e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente, e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor. ⁹ Depois caminhou Abrão dali, seguindo ainda para o lado do sul. ¹⁰ E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra. ¹¹ E aconteceu que, chegando ele para entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher formosa à vista; ¹² E será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é sua mulher. E matar-me-ão a mim, e a ti te guardarão em vida. ¹³ Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti. ¹⁴ E aconteceu que, entrando Abrão no Egito, viram os egípcios a mulher, que era mui formosa. ¹⁵ E viram-na os príncipes de Faraó, e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada para a casa de Faraó. ¹⁶ E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve ovelhas, vacas, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos. ¹⁷ Feriu, porém, o Senhor a Faraó e a sua casa, com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão. ¹⁸ Então chamou Faraó a Abrão, e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher? ¹⁹ Por que disseste: É minha irmã? Por isso a tomei por minha mulher; agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te. ²⁰ E Faraó deu ordens aos seus homens a respeito dele; e acompanharam-no, a ele, e a sua mulher, e a tudo o que tinha.

CAP-13

¹ Subiu, pois, Abrão do Egito para o lado do sul, ele e sua mulher, e tudo o que tinha, e com ele Ló. ² E era Abrão muito rico em gado, em prata e em ouro. ³ E fez as suas jornadas do sul até Betel, até ao lugar onde a princípio estivera a sua tenda, entre Betel e Ai; ⁴ Até ao lugar do altar que outrora ali tinha feito; e Abrão invocou ali o nome do Senhor. ⁵ E também Ló, que ia com Abrão, tinha rebanhos, gado e tendas. ⁶ E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos; porque os seus bens eram muitos; de maneira que não podiam habitar juntos. ⁷ E houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló; e os cananeus e os perizeus habitavam então na terra. ⁸ E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. ⁹ Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda. ¹⁰ E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. ¹¹ Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro. ¹² Habitou Abrão na terra de Canaã e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma. ¹³ Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor. ¹⁴ E disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os teus olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o lado do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente; ¹⁵ Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre. ¹⁶ E farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que se alguém puder contar o pó da terra, também a tua descendência será contada. ¹⁷ Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei. ¹⁸ E Abrão mudou as suas tendas, e foi, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor.

CAP-14

¹ E aconteceu nos dias de Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, ² Que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsa, rei de Gomorra, a Sinabe, rei de Admá, e a Semeber, rei de Zeboim, e ao rei de Belá (esta é Zoar). ³ Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o Mar Salgado). ⁴ Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas ao décimo terceiro ano rebelaram-se. ⁵ E ao décimo quarto ano veio Quedorlaomer, e os reis que estavam com ele, e feriram aos refains em Asterote-Carnaim, e aos zuzins em Hã, e aos emins em Savé-Quiriataim, ⁶ E aos horeus no seu monte Seir, até El-Parã que está junto ao deserto. ⁷ Depois tornaram e vieram a En-Mispate (que é Cades), e feriram toda a terra dos amalequitas, e também aos amorreus, que habitavam em Hazazom-Tamar. ⁸ Então saiu o rei de Sodoma, e o rei de Gomorra, e o rei de Admá, e o rei de Zeboim, e o rei de Belá (esta é Zoar), e ordenaram batalha contra eles no vale de Sidim, ⁹ Contra Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, e Anrafel, rei de Sinar, e Arioque, rei de Elasar; quatro reis contra cinco. ¹⁰ E o vale de Sidim estava cheio de poços de betume; e fugiram os reis de Sodoma e de Gomorra, e caíram ali; e os restantes fugiram para um monte. ¹¹ E tomaram todos os bens de Sodoma, e de Gomorra, e todo o seu mantimento e foram-se. ¹² Também tomaram a Ló, que habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e os seus bens, e foram-se. ¹³ Então veio um, que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu; ele habitava junto dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmão de Escol, e irmão de Aner; eles eram confederados de Abrão. ¹⁴ Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã. ¹⁵ E dividiu-se contra eles de noite, ele e os seus criados, e os feriu, e os perseguiu até Hobá, que fica à esquerda de Damasco. ¹⁶ E tornou a trazer todos os seus bens, e tornou a trazer também a Ló, seu irmão, e os seus bens, e também as mulheres, e o povo. ¹⁷ E o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro (depois que voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele) até ao Vale de Savé, que é o vale do rei. ¹⁸ E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. ¹⁹ E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; ²⁰ E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo. ²¹ E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas, e os bens toma para ti. ²² Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, ²³ Jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão; ²⁴ Salvo tão somente o que os jovens comeram, e a parte que toca aos homens que comigo foram, Aner, Escol e Manre; estes que tomem a sua parte.

CAP-15

¹ Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a Abrão em visão, dizendo: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão. ² Então disse Abrão: Senhor Deus, que me hás de dar, pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer? ³ Disse mais Abrão: Eis que não me tens dado filhos, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro. ⁴ E eis que veio a palavra do Senhor a ele dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro. ⁵ Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência. ⁶ E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça. ⁷ Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la. ⁸ E disse ele: Senhor Deus, como saberei que hei de herdá-la? ⁹ E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. ¹⁰ E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. ¹¹ E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. ¹² E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele. ¹³ Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, ¹⁴ Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. ¹⁵ E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. ¹⁶ E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia. ¹⁷ E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades. ¹⁸ Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates; ¹⁹ E o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, ²⁰ E o heteu, e o perizeu, e os refains, ²¹ E o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu.

CAP-16

¹ Ora Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar. ² E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai. ³ Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã. ⁴ E ele possuiu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos. ⁵ Então disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti; minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti. ⁶ E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face. ⁷ E o anjo do Senhor a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur. ⁸ E disse: Agar, serva de Sarai, donde vens, e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai minha senhora. ⁹ Então lhe disse o anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora, e humilha-te debaixo de suas mãos. ¹⁰ Disse-lhe mais o anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, que não será contada, por numerosa que será. ¹¹ Disse-lhe também o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição. ¹² E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos. ¹³ E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus que me vê; porque disse: Não olhei eu também aqui para aquele que me vê? ¹⁴ Por isso se chama aquele poço de Beer-Laai-Rói; eis que está entre Cades e Berede. ¹⁵ E Agar deu à luz um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que Agar tivera, Ismael. ¹⁶ E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu à luz Ismael.

CAP-17

¹ Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito. ² E porei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente. ³ Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo: ⁴ Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações; ⁵ E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; ⁶ E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; ⁷ E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. ⁸ E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus. ⁹ Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. ¹⁰ Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. ¹¹ E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. ¹² O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência. ¹³ Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua. ¹⁴ E o homem incircunciso, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada do seu povo; quebrou a minha aliança. ¹⁵ Disse Deus mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome. ¹⁶ Porque eu a hei de abençoar, e te darei dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela. ¹⁷ Então caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E dará à luz Sara da idade de noventa anos? ¹⁸ E disse Abraão a Deus: Quem dera que viva Ismael diante de teu rosto! ¹⁹ E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele. ²⁰ E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e o farei frutificar, e o farei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação. ²¹ A minha aliança, porém, estabelecerei com Isaque, o qual Sara dará à luz neste tempo determinado, no ano seguinte. ²² Ao acabar de falar com Abraão, subiu Deus de diante dele. ²³ Então tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo o homem entre os da casa de Abraão; e circuncidou a carne do seu prepúcio, naquele mesmo dia, como Deus falara com ele. ²⁴ E era Abraão da idade de noventa e nove anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio. ²⁵ E Ismael, seu filho, era da idade de treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio. ²⁶ Naquele mesmo dia foram circuncidados Abraão e Ismael seu filho, ²⁷ E todos os homens da sua casa, os nascidos em casa, e os comprados por dinheiro ao estrangeiro, foram circuncidados com ele.

CAP-18

¹ Depois apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre, estando ele assentado à porta da tenda, no calor do dia. ² E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele. E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e inclinou-se à terra, ³ E disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo. ⁴ Que se traga já um pouco de água, e lavai os vossos pés, e recostai-vos debaixo desta árvore; ⁵ E trarei um bocado de pão, para que esforceis o vosso coração; depois passareis adiante, porquanto por isso chegastes até vosso servo. E disseram: Assim faze como disseste. ⁶ E Abraão apressou-se em ir ter com Sara à tenda, e disse-lhe: Amassa depressa três medidas de flor de farinha, e faze bolos. ⁷ E correu Abraão às vacas, e tomou uma vitela tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou em prepará-la. ⁸ E tomou manteiga e leite, e a vitela que tinha preparado, e pôs tudo diante deles, e ele estava em pé junto a eles debaixo da árvore; e comeram. ⁹ E disseram-lhe: Onde está Sara, tua mulher? E ele disse: Ei-la aí na tenda. ¹⁰ E disse: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara escutava à porta da tenda, que estava atrás dele. ¹¹ E eram Abraão e Sara já velhos, e adiantados em idade; já a Sara havia cessado o costume das mulheres. ¹² Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho? ¹³ E disse o Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: Na verdade darei eu à luz ainda, havendo já envelhecido? ¹⁴ Haveria coisa alguma difícil ao Senhor? Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho. ¹⁵ E Sara negou, dizendo: Não me ri; porquanto temeu. E ele disse: Não digas isso, porque te riste. ¹⁶ E levantaram-se aqueles homens dali, e olharam para o lado de Sodoma; e Abraão ia com eles, acompanhando-os. ¹⁷ E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço, ¹⁸ Visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? ¹⁹ Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado. ²⁰ Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito, ²¹ Descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei. ²² Então viraram aqueles homens os rostos dali, e foram-se para Sodoma; mas Abraão ficou ainda em pé diante da face do Senhor. ²³ E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? ²⁴ Se porventura houver cinquenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão dentro dela? ²⁵ Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? ²⁶ Então disse o Senhor: Se eu em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles. ²⁷ E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza. ²⁸ Se porventura de cinquenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco. ²⁹ E continuou ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E disse: Não o farei por amor dos quarenta. ³⁰ Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar: Se porventura se acharem ali trinta? E disse: Não o farei se achar ali trinta. ³¹ E disse: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor: Se porventura se acharem ali vinte? E disse: Não a destruirei por amor dos vinte. ³² Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez. ³³ E retirou-se o Senhor, quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou-se ao seu lugar.

CAP-19

¹ E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra; ² E disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. E eles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite. ³ E porfiou com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram. ⁴ E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros. ⁵ E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos. ⁶ Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si, ⁷ E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal; ⁸ Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado. ⁹ Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta. ¹⁰ Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta; ¹¹ E feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cansaram para achar a porta. ¹² Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; ¹³ Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo. ¹⁴ Então saiu Ló, e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos de seus genros. ¹⁵ E ao amanhecer os anjos apertaram com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade. ¹⁶ Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade. ¹⁷ E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças. ¹⁸ E Ló disse-lhe: Ora, não, meu Senhor! ¹⁹ Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandeceste a tua misericórdia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida; mas eu não posso escapar no monte, para que porventura não me apanhe este mal, e eu morra. ²⁰ Eis que agora aquela cidade está perto, para fugir para lá, e é pequena; ora, deixe-me escapar para lá (não é pequena?), para que minha alma viva. ²¹ E disse-lhe: Eis aqui, tenho-te aceitado também neste negócio, para não destruir aquela cidade, de que falaste; ²² Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, enquanto não tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade Zoar. ²³ Saiu o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar. ²⁴ Então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; ²⁵ E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra. ²⁶ E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal. ²⁷ E Abraão levantou-se aquela mesma manhã, de madrugada, e foi para aquele lugar onde estivera diante da face do Senhor; ²⁸ E olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina; e viu, e eis que a fumaça da terra subia, como a fumaça de uma fornalha. ²⁹ E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou a Ló do meio da destruição, derrubando aquelas cidades em que Ló habitara. ³⁰ E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele; porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas. ³¹ Então a primogênita disse à menor: Nosso pai já é velho, e não há homem na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra; ³² Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. ³³ E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. ³⁴ E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. ³⁵ E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. ³⁶ E conceberam as duas filhas de Ló de seu pai. ³⁷ E a primogênita deu à luz um filho, e chamou o seu nome Moabe; este é o pai dos moabitas até ao dia de hoje. ³⁸ E a menor também deu à luz um filho, e chamou o seu nome Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom até o dia de hoje.

CAP-21

¹ E partiu Abraão dali para a terra do sul, e habitou entre Cades e Sur; e peregrinou em Gerar. ² E havendo Abraão dito de Sara, sua mulher: É minha irmã; enviou Abimeleque, rei de Gerar, e tomou a Sara. ³ Deus, porém, veio a Abimeleque em sonhos de noite, e disse-lhe: Eis que morto serás por causa da mulher que tomaste; porque ela está casada com marido. ⁴ Mas Abimeleque ainda não se tinha chegado a ela; por isso disse: Senhor, matarás também uma nação justa? ⁵ Não me disse ele mesmo: É minha irmã? E ela também disse: É meu irmão. Em sinceridade do coração e em pureza das minhas mãos tenho feito isto. ⁶ E disse-lhe Deus em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isto; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la. ⁷ Agora, pois, restitui a mulher ao seu marido, porque profeta é, e rogará por ti, para que vivas; porém se não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu. ⁸ E levantou-se Abimeleque pela manhã de madrugada, chamou a todos os seus servos, e falou todas estas palavras em seus ouvidos; e temeram muito aqueles homens. ⁹ Então chamou Abimeleque a Abraão e disse-lhe: Que nos fizeste? E em que pequei contra ti, para trazeres sobre o meu reino tamanho pecado? Tu me fizeste aquilo que não deverias ter feito. ¹⁰ Disse mais Abimeleque a Abraão: Que tens visto, para fazer tal coisa? ¹¹ E disse Abraão: Porque eu dizia comigo: Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por causa da minha mulher. ¹² E, na verdade, é ela também minha irmã, filha de meu pai, mas não filha da minha mãe; e veio a ser minha mulher; ¹³ E aconteceu que, fazendo-me Deus sair errante da casa de meu pai, eu lhe disse: Seja esta a graça que me farás em todo o lugar aonde chegarmos, dize de mim: É meu irmão. ¹⁴ Então tomou Abimeleque ovelhas e vacas, e servos e servas, e os deu a Abraão; e restituiu-lhe Sara, sua mulher. ¹⁵ E disse Abimeleque: Eis que a minha terra está diante da tua face; habita onde for bom aos teus olhos. ¹⁶ E a Sara disse: Vês que tenho dado ao teu irmão mil moedas de prata; eis que ele te seja por véu dos olhos para com todos os que contigo estão, e até para com todos os outros; e estás advertida. ¹⁷ E orou Abraão a Deus, e sarou Deus a Abimeleque, e à sua mulher, e às suas servas, de maneira que tiveram filhos; ¹⁸ Porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão.

CAP-21

¹ E o Senhor visitou a Sara, como tinha dito; e fez o Senhor a Sara como tinha prometido. ² E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha falado. ³ E Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque. ⁴ E Abraão circuncidou o seu filho Isaque, quando era da idade de oito dias, como Deus lhe tinha ordenado. ⁵ E era Abraão da idade de cem anos, quando lhe nasceu Isaque seu filho. ⁶ E disse Sara: Deus me tem feito riso; todo aquele que o ouvir se rirá comigo. ⁷ Disse mais: Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos? Pois lhe dei um filho na sua velhice. ⁸ E cresceu o menino, e foi desmamado; então Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado. ⁹ E viu Sara que o filho de Agar, a egípcia, o qual tinha dado a Abraão, zombava. ¹⁰ E disse a Abraão: Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho. ¹¹ E pareceu esta palavra muito má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho. ¹² Porém Deus disse a Abraão: Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. ¹³ Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua descendência. ¹⁴ Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os sobre o seu ombro; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela partiu, andando errante no deserto de Berseba. ¹⁵ E consumida a água do odre, lançou o menino debaixo de uma das árvores. ¹⁶ E foi assentar-se em frente, afastando-se à distância de um tiro de arco; porque dizia: Que eu não veja morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou. ¹⁷ E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Agar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está. ¹⁸ Ergue-te, levanta o menino e pega-lhe pela mão, porque dele farei uma grande nação. ¹⁹ E abriu-lhe Deus os olhos, e viu um poço de água; e foi encher o odre de água, e deu de beber ao menino. ²⁰ E era Deus com o menino, que cresceu; e habitou no deserto, e foi flecheiro. ²¹ E habitou no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe mulher da terra do Egito. ²² E aconteceu naquele mesmo tempo que Abimeleque, com Ficol, príncipe do seu exército, falou com Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes; ²³ Agora, pois, jura-me aqui por Deus, que não mentirás a mim, nem a meu filho, nem a meu neto; segundo a beneficência que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste. ²⁴ E disse Abraão: Eu jurarei. ²⁵ Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque por causa de um poço de água, que os servos de Abimeleque haviam tomado à força. ²⁶ Então disse Abimeleque: Eu não sei quem fez isto; e também tu não mo fizeste saber, nem eu o ouvi senão hoje. ²⁷ E tomou Abraão ovelhas e vacas, e deu-as a Abimeleque; e fizeram ambos uma aliança. ²⁸ Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho. ²⁹ E Abimeleque disse a Abraão: Para que estão aqui estas sete cordeiras, que puseste à parte? ³⁰ E disse: Tomarás estas sete cordeiras de minha mão, para que sejam em testemunho que eu cavei este poço. ³¹ Por isso se chamou aquele lugar Berseba, porquanto ambos juraram ali. ³² Assim fizeram aliança em Berseba. Depois se levantou Abimeleque e Ficol, príncipe do seu exército, e tornaram-se para a terra dos filisteus. ³³ E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno. ³⁴ E peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias.

CAP-22

¹ E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. ² E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. ³ Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera. ⁴ Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe. ⁵ E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós. ⁶ E tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos. ⁷ Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? ⁸ E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos. ⁹ E chegaram ao lugar que Deus lhe dissera, e edificou Abraão ali um altar e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha. ¹⁰ E estendeu Abraão a sua mão, e tomou o cutelo para imolar o seu filho; ¹¹ Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. ¹² Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho. ¹³ Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho. ¹⁴ E chamou Abraão o nome daquele lugar: o Senhor proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá. ¹⁵ Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus, ¹⁶ E disse: Por mim mesmo jurei, diz o Senhor: Porquanto fizeste esta ação, e não me negaste o teu filho, o teu único filho, ¹⁷ Que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos; ¹⁸ E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz. ¹⁹ Então Abraão tornou aos seus moços, e levantaram-se, e foram juntos para Berseba; e Abraão habitou em Berseba. ²⁰ E sucedeu depois destas coisas, que anunciaram a Abraão, dizendo: Eis que também Milca deu filhos a Naor teu irmão. ²¹ Uz o seu primogênito, e Buz seu irmão, e Quemuel, pai de Arã, ²² E Quésede, e Hazo, e Pildas, e Jidlafe, e Betuel. ²³ E Betuel gerou Rebeca. Estes oito deu à luz Milca a Naor, irmão de Abraão. ²⁴ E a sua concubina, cujo nome era Reumá, ela lhe deu também a Tebá, Gaã, Taás e Maaca.

CAP-23

¹ E foi a vida de Sara cento e vinte e sete anos; estes foram os anos da vida de Sara. ² E morreu Sara em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã; e veio Abraão lamentar Sara e chorar por ela. ³ Depois se levantou Abraão de diante de sua morta, e falou aos filhos de Hete, dizendo: ⁴ Estrangeiro e peregrino sou entre vós; dai-me possessão de sepultura convosco, para que eu sepulte a minha morta de diante da minha face. ⁵ E responderam os filhos de Hete a Abraão, dizendo-lhe: ⁶ Ouve-nos, meu senhor; príncipe poderoso és no meio de nós; enterra a tua morta na mais escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para enterrar a tua morta. ⁷ Então se levantou Abraão, inclinou-se diante do povo da terra, diante dos filhos de Hete, ⁸ E falou com eles, dizendo: Se é de vossa vontade que eu sepulte a minha morta de diante de minha face, ouvi-me e falai por mim a Efrom, filho de Zoar, ⁹ Que ele me dê a cova de Macpela, que ele tem no fim do seu campo; que ma dê pelo devido preço em herança de sepulcro no meio de vós. ¹⁰ Ora Efrom habitava no meio dos filhos de Hete; e respondeu Efrom, heteu, a Abraão, aos ouvidos dos filhos de Hete, de todos os que entravam pela porta da sua cidade, dizendo: ¹¹ Não, meu senhor, ouve-me: O campo te dou, também te dou a cova que nele está, diante dos olhos dos filhos do meu povo ta dou; sepulta a tua morta. ¹² Então Abraão se inclinou diante da face do povo da terra, ¹³ E falou a Efrom, aos ouvidos do povo da terra, dizendo: Mas se tu estás por isto, ouve-me, peço-te. O preço do campo o darei; toma-o de mim e sepultarei ali a minha morta. ¹⁴ E respondeu Efrom a Abraão, dizendo-lhe: ¹⁵ Meu senhor, ouve-me, a terra é de quatrocentos siclos de prata; que é isto entre mim e ti? Sepulta a tua morta. ¹⁶ E Abraão deu ouvidos a Efrom, e Abraão pesou a Efrom a prata de que tinha falado aos ouvidos dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, corrente entre mercadores. ¹⁷ Assim o campo de Efrom, que estava em Macpela, em frente de Manre, o campo e a cova que nele estava, e todo o arvoredo que no campo havia, que estava em todo o seu contorno ao redor, ¹⁸ Se confirmou a Abraão em possessão diante dos olhos dos filhos de Hete, de todos os que entravam pela porta da cidade. ¹⁹ E depois sepultou Abraão a Sara sua mulher na cova do campo de Macpela, em frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã. ²⁰ Assim o campo e a cova que nele estava foram confirmados a Abraão, pelos filhos de Hete, em possessão de sepultura.

CAP-24

¹ E era Abraão já velho e adiantado em idade, e o Senhor havia abençoado a Abraão em tudo. ² E disse Abraão ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa, ³ Para que eu te faça jurar pelo Senhor Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito. ⁴ Mas que irás à minha terra e à minha parentela, e dali tomarás mulher para meu filho Isaque. ⁵ E disse-lhe o servo: Se porventura não quiser seguir-me a mulher a esta terra, farei, pois, tornar o teu filho à terra donde saíste? ⁶ E Abraão lhe disse: Guarda-te, que não faças lá tornar o meu filho. ⁷ O Senhor Deus dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho. ⁸ Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento; somente não faças lá tornar a meu filho. ⁹ Então pôs o servo a sua mão debaixo da coxa de Abraão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negócio. ¹⁰ E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que todos os bens de seu senhor estavam em sua mão, e levantou-se e partiu para Mesopotâmia, para a cidade de Naor. ¹¹ E fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto a um poço de água, pela tarde, ao tempo que as moças saíam a tirar água. ¹² E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, dá-me hoje bom encontro, e faze beneficência ao meu senhor Abraão! ¹³ Eis que eu estou em pé junto à fonte de água e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água; ¹⁴ Seja, pois, que a donzela, a quem eu disser: Abaixa agora o teu cântaro para que eu beba; e ela disser: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; esta seja a quem designaste ao teu servo Isaque, e que eu conheça nisso que usaste de benevolência com meu senhor. ¹⁵ E sucedeu que, antes que ele acabasse de falar, eis que Rebeca, que havia nascido a Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, saía com o seu cântaro sobre o seu ombro. ¹⁶ E a donzela era mui formosa à vista, virgem, a quem homem não havia conhecido; e desceu à fonte, e encheu o seu cântaro e subiu. ¹⁷ Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Peço-te, deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro. ¹⁸ E ela disse: Bebe, meu senhor. E apressou-se e abaixou o seu cântaro sobre a sua mão e deu-lhe de beber. ¹⁹ E, acabando ela de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus camelos, até que acabem de beber. ²⁰ E apressou-se, e despejou o seu cântaro no bebedouro, e correu outra vez ao poço para tirar água, e tirou para todos os seus camelos. ²¹ E o homem estava admirado de vê-la, calando-se, para saber se o Senhor havia prosperado a sua jornada ou não. ²² E aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as suas mãos, do peso de dez siclos de ouro; ²³ E disse: De quem és filha? Faze-mo saber, peço-te. Há também em casa de teu pai lugar para nós pousarmos? ²⁴ E ela lhe disse: Eu sou a filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a Naor. ²⁵ Disse-lhe mais: Também temos palha e muito pasto, e lugar para passar a noite. ²⁶ Então inclinou-se aquele homem e adorou ao Senhor, ²⁷ E disse: Bendito seja o Senhor Deus de meu senhor Abraão, que não retirou a sua benevolência e a sua verdade de meu senhor; quanto a mim, o Senhor me guiou no caminho à casa dos irmãos de meu senhor. ²⁸ E a donzela correu, e fez saber estas coisas na casa de sua mãe. ²⁹ E Rebeca tinha um irmão cujo nome era Labão; e Labão correu ao encontro daquele homem até a fonte. ³⁰ E aconteceu que, quando ele viu o pendente, e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã, e quando ouviu as palavras de sua irmã Rebeca, que dizia: Assim me falou aquele homem; foi ter com o homem, que estava em pé junto aos camelos, à fonte, ³¹ E disse: Entra, bendito do Senhor; por que estás fora? Pois eu já preparei a casa, e o lugar para os camelos. ³² Então veio aquele homem à casa, e desataram os camelos, e deram palha e pasto aos camelos, e água para lavar os pés dele, e os pés dos homens que estavam com ele. ³³ Depois puseram comida diante dele. Ele, porém, disse: Não comerei, até que tenha dito as minhas palavras. E ele disse: Fala. ³⁴ Então disse: Eu sou o servo de Abraão. ³⁵ E o Senhor abençoou muito o meu senhor, de maneira que foi engrandecido, e deu-lhe ovelhas e vacas, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos. ³⁶ E Sara, a mulher do meu senhor, deu à luz um filho a meu senhor depois da sua velhice, e ele deu-lhe tudo quanto tem. ³⁷ E meu senhor me fez jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeus, em cuja terra habito; ³⁸ Irás, porém, à casa de meu pai, e à minha família, e tomarás mulher para meu filho. ³⁹ Então disse eu ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher. ⁴⁰ E ele me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o seu anjo contigo, e prosperará o teu caminho, para que tomes mulher para meu filho da minha família e da casa de meu pai; ⁴¹ Então serás livre do meu juramento, quando fores à minha família; e se não te derem, livre serás do meu juramento. ⁴² E hoje cheguei à fonte, e disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, se tu agora prosperas o meu caminho, no qual eu ando, ⁴³ Eis que estou junto à fonte de água; seja, pois, que a donzela que sair para tirar água e à qual eu disser: Peço-te, dá-me um pouco de água do teu cântaro; ⁴⁴ E ela me disser: Bebe tu e também tirarei água para os teus camelos; esta seja a mulher que o Senhor designou ao filho de meu senhor. ⁴⁵ E antes que eu acabasse de falar no meu coração, eis que Rebeca saía com o seu cântaro sobre o seu ombro, desceu à fonte e tirou água; e eu lhe disse: Peço-te, dá-me de beber. ⁴⁶ E ela se apressou, e abaixou o seu cântaro de sobre si, e disse: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; e bebi, e ela deu também de beber aos camelos. ⁴⁷ Então lhe perguntei, e disse: De quem és filha? E ela disse: Filha de Betuel, filho de Naor, que lhe deu Milca. Então eu pus o pendente no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos; ⁴⁸ E inclinando-me adorei ao Senhor, e bendisse ao Senhor, Deus do meu senhor Abraão, que me havia encaminhado pelo caminho da verdade, para tomar a filha do irmão de meu senhor para seu filho. ⁴⁹ Agora, pois, se vós haveis de fazer benevolência e verdade a meu senhor, fazei-mo saber; e se não, também mo fazei saber, para que eu vá à direita, ou à esquerda. ⁵⁰ Então responderam Labão e Betuel, e disseram: Do Senhor procedeu este negócio; não podemos falar-te mal ou bem. ⁵¹ Eis que Rebeca está diante da tua face; toma-a, e vai-te; seja a mulher do filho de teu senhor, como tem dito o Senhor. ⁵² E aconteceu que, o servo de Abraão, ouvindo as suas palavras, inclinou-se à terra diante do Senhor. ⁵³ E tirou o servo joias de prata e joias de ouro, e vestidos, e deu-os a Rebeca; também deu coisas preciosas a seu irmão e à sua mãe. ⁵⁴ Então comeram e beberam, ele e os homens que com ele estavam, e passaram a noite. E levantaram-se pela manhã, e disse: Deixai-me ir a meu senhor. ⁵⁵ Então disseram seu irmão e sua mãe: Fique a donzela conosco alguns dias, ou pelo menos dez dias, depois irá. ⁵⁶ Ele, porém, lhes disse: Não me detenhais, pois o Senhor tem prosperado o meu caminho; deixai-me partir, para que eu volte a meu senhor. ⁵⁷ E disseram: Chamemos a donzela, e perguntemos-lho. ⁵⁸ E chamaram a Rebeca, e disseram-lhe: Irás tu com este homem? Ela respondeu: Irei. ⁵⁹ Então despediram a Rebeca, sua irmã, e sua ama, e o servo de Abraão, e seus homens. ⁶⁰ E abençoaram a Rebeca, e disseram-lhe: Ó nossa irmã, sê tu a mãe de milhares de milhares, e que a tua descendência possua a porta de seus aborrecedores! ⁶¹ E Rebeca se levantou com as suas moças, e subiram sobre os camelos, e seguiram o homem; e tomou aquele servo a Rebeca, e partiu. ⁶² Ora, Isaque vinha de onde se vem do poço de Beer-Laai-Rói; porque habitava na terra do sul. ⁶³ E Isaque saíra a orar no campo, à tarde; e levantou os seus olhos, e olhou, e eis que os camelos vinham. ⁶⁴ Rebeca também levantou seus olhos, e viu a Isaque, e desceu do camelo. ⁶⁵ E disse ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu senhor. Então tomou ela o véu e cobriu-se. ⁶⁶ E o servo contou a Isaque todas as coisas que fizera. ⁶⁷ E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe.

CAP-25

¹ E Abraão tomou outra mulher; e o seu nome era Quetura; ² E deu-lhe à luz Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá. ³ E Jocsã gerou Seba e Dedã; e os filhos de Dedã foram Assurim, Letusim e Leumim. ⁴ E os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Enoque, Abida e Elda. Estes todos foram filhos de Quetura. ⁵ Porém Abraão deu tudo o que tinha a Isaque; ⁶ Mas aos filhos das concubinas que Abraão tinha, deu Abraão presentes e, vivendo ele ainda, despediu-os do seu filho Isaque, enviando-os ao oriente, para a terra oriental. ⁷ Estes, pois, são os dias dos anos da vida de Abraão, que viveu cento e setenta e cinco anos. ⁸ E Abraão expirou, morrendo em boa velhice, velho e farto de dias; e foi congregado ao seu povo; ⁹ E Isaque e Ismael, seus filhos, sepultaram-no na cova de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, heteu, que estava em frente de Manre, ¹⁰ O campo que Abraão comprara aos filhos de Hete. Ali está sepultado Abraão e Sara, sua mulher. ¹¹ E aconteceu depois da morte de Abraão, que Deus abençoou a Isaque seu filho; e habitava Isaque junto ao poço Beer-Laai-Rói. ¹² Estas, porém, são as gerações de Ismael filho de Abraão, que a serva de Sara, Agar, egípcia, deu a Abraão. ¹³ E estes são os nomes dos filhos de Ismael, pelos seus nomes, segundo as suas gerações: O primogênito de Ismael era Nebaiote, depois Quedar, Adbeel e Mibsão, ¹⁴ Misma, Dumá, Massá, ¹⁵ Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá. ¹⁶ Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes pelas suas vilas e pelos seus castelos; doze príncipes segundo as suas famílias. ¹⁷ E estes são os anos da vida de Ismael, cento e trinta e sete anos, e ele expirou e, morrendo, foi congregado ao seu povo. ¹⁸ E habitaram desde Havilá até Sur, que está em frente do Egito, como quem vai para a Assíria; e fez o seu assento diante da face de todos os seus irmãos. ¹⁹ E estas são as gerações de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou a Isaque; ²⁰ E era Isaque da idade de quarenta anos, quando tomou por mulher a Rebeca, filha de Betuel, arameu de Padã-Arã, irmã de Labão, arameu. ²¹ E Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu. ²² E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi perguntar ao Senhor. ²³ E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. ²⁴ E cumprindo-se os seus dias para dar à luz, eis gêmeos no seu ventre. ²⁵ E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pelo; por isso chamaram o seu nome Esaú. ²⁶ E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome Jacó. E era Isaque da idade de sessenta anos quando os gerou. ²⁷ E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas. ²⁸ E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó. ²⁹ E Jacó cozera um guisado; e veio Esaú do campo, e estava ele cansado; ³⁰ E disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom. ³¹ Então disse Jacó: Vende-me hoje a tua primogenitura. ³² E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura? ³³ Então disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó. ³⁴ E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura.

CAP-26

¹ E havia fome na terra, além da primeira fome, que foi nos dias de Abraão; por isso foi Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar. ² E apareceu-lhe o Senhor, e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser; ³ Peregrina nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei; porque a ti e à tua descendência darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão teu pai; ⁴ E multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e darei à tua descendência todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as nações da terra; ⁵ Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis. ⁶ Assim habitou Isaque em Gerar. ⁷ E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista. ⁸ E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca sua mulher. ⁹ Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa dela. ¹⁰ E disse Abimeleque: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delito. ¹¹ E mandou Abimeleque a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste homem ou em sua mulher, certamente morrerá. ¹² E semeou Isaque naquela mesma terra, e colheu naquele mesmo ano cem medidas, porque o Senhor o abençoava. ¹³ E engrandeceu-se o homem, e ia enriquecendo-se, até que se tornou mui poderoso. ¹⁴ E tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam. ¹⁵ E todos os poços, que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de seu pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra. ¹⁶ Disse também Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós. ¹⁷ Então Isaque partiu dali e fez o seu acampamento no vale de Gerar, e habitou lá. ¹⁸ E tornou Isaque e cavou os poços de água que cavaram nos dias de Abraão seu pai, e que os filisteus entulharam depois da morte de Abraão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pai. ¹⁹ Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale, e acharam ali um poço de águas vivas. ²⁰ E os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso chamou o nome daquele poço Eseque, porque contenderam com ele. ²¹ Então cavaram outro poço, e também porfiaram sobre ele; por isso chamou o seu nome Sitna. ²² E partiu dali, e cavou outro poço, e não porfiaram sobre ele; por isso chamou o seu nome Reobote, e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra. ²³ Depois subiu dali a Berseba. ²⁴ E apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite, e disse: Eu sou o Deus de Abraão teu pai; não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua descendência por amor de Abraão meu servo. ²⁵ Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço. ²⁶ E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Auzate seu amigo, e Ficol, príncipe do seu exército. ²⁷ E disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois que vós me odiais e me repelistes de vós? ²⁸ E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo, por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos aliança contigo. ²⁹ Que não nos faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Senhor. ³⁰ Então lhes fez um banquete, e comeram e beberam; ³¹ E levantaram-se de madrugada e juraram um ao outro; depois os despediu Isaque, e despediram-se dele em paz. ³² E aconteceu, naquele mesmo dia, que vieram os servos de Isaque, e anunciaram-lhe acerca do negócio do poço, que tinham cavado; e disseram-lhe: Temos achado água. ³³ E chamou-o Seba; por isso é o nome daquela cidade Berseba até o dia de hoje. ³⁴ Ora, sendo Esaú da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu. ³⁵ E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito.

CAP-27

¹ E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho. E ele lhe disse: Eis-me aqui. ² E ele disse: Eis que já agora estou velho, e não sei o dia da minha morte; ³ Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça. ⁴ E faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma; para que minha alma te abençoe, antes que morra. ⁵ E Rebeca escutou quando Isaque falava ao seu filho Esaú. E foi Esaú ao campo para apanhar a caça que havia de trazer. ⁶ Então falou Rebeca a Jacó seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o teu pai que falava com Esaú teu irmão, dizendo: ⁷ Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante da face do Senhor, antes da minha morte. ⁸ Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te mando: ⁹ Vai agora ao rebanho, e traze-me de lá dois bons cabritos, e eu farei deles um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta; ¹⁰ E levá-lo-ás a teu pai, para que o coma; para que te abençoe antes da sua morte. ¹¹ Então disse Jacó a Rebeca, sua mãe: Eis que Esaú meu irmão é homem cabeludo, e eu homem liso; ¹² Porventura me apalpará o meu pai, e serei aos seus olhos como enganador; assim trarei eu sobre mim maldição, e não bênção. ¹³ E disse-lhe sua mãe: Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; somente obedece à minha voz, e vai, traze-mos. ¹⁴ E foi, e tomou-os, e trouxe-os a sua mãe; e sua mãe fez um guisado saboroso, como seu pai gostava. ¹⁵ Depois tomou Rebeca os vestidos de gala de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho menor; ¹⁶ E com as peles dos cabritos cobriu as suas mãos e a lisura do seu pescoço; ¹⁷ E deu o guisado saboroso e o pão que tinha preparado, na mão de Jacó seu filho. ¹⁸ E foi ele a seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui; quem és tu, meu filho? ¹⁹ E Jacó disse a seu pai: Eu sou Esaú, teu primogênito; tenho feito como me disseste; levanta-te agora, assenta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe. ²⁰ Então disse Isaque a seu filho: Como é isto, que tão cedo a achaste, filho meu? E ele disse: Porque o Senhor teu Deus a mandou ao meu encontro. ²¹ E disse Isaque a Jacó: Chega-te agora, para que te apalpe, meu filho, se és meu filho Esaú mesmo, ou não. ²² Então se chegou Jacó a Isaque seu pai, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú. ²³ E não o conheceu, porquanto as suas mãos estavam cabeludas, como as mãos de Esaú seu irmão; e abençoou-o. ²⁴ E disse: És tu meu filho Esaú mesmo? E ele disse: Eu sou. ²⁵ Então disse: Faze chegar isso perto de mim, para que coma da caça de meu filho; para que a minha alma te abençoe. E chegou-lhe, e comeu; trouxe-lhe também vinho, e bebeu. ²⁶ E disse-lhe Isaque seu pai: Ora chega-te, e beija-me, filho meu. ²⁷ E chegou-se, e beijou-o; então sentindo o cheiro das suas vestes, abençoou-o, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o Senhor abençoou; ²⁸ Assim, pois, te dê Deus do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto. ²⁹ Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem. ³⁰ E aconteceu que, acabando Isaque de abençoar a Jacó, apenas Jacó acabava de sair da presença de Isaque seu pai, veio Esaú, seu irmão, da sua caça; ³¹ E fez também ele um guisado saboroso, e trouxe-o a seu pai; e disse a seu pai: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que me abençoe a tua alma. ³² E disse-lhe Isaque seu pai: Quem és tu? E ele disse: Eu sou teu filho, o teu primogênito Esaú. ³³ Então estremeceu Isaque de um estremecimento muito grande, e disse: Quem, pois, é aquele que apanhou a caça, e ma trouxe? E comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o, e ele será bendito. ³⁴ Esaú, ouvindo as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai. ³⁵ E ele disse: Veio teu irmão com sutileza, e tomou a tua bênção. ³⁶ Então disse ele: Não é o seu nome justamente chamado Jacó, tanto que já duas vezes me enganou? A minha primogenitura me tomou, e eis que agora me tomou a minha bênção. E perguntou: Não reservaste, pois, para mim nenhuma bênção? ³⁷ Então respondeu Isaque a Esaú dizendo: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora, meu filho? ³⁸ E disse Esaú a seu pai: Tens uma só bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a sua voz, e chorou. ³⁹ Então respondeu Isaque, seu pai, e disse-lhe: Eis que a tua habitação será nas gorduras da terra e no orvalho dos altos céus. ⁴⁰ E pela tua espada viverás, e ao teu irmão servirás. Acontecerá, porém, que quando te assenhoreares, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço. ⁴¹ E Esaú odiou a Jacó por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; e matarei a Jacó meu irmão. ⁴² E foram denunciadas a Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; e ela mandou chamar a Jacó, seu filho menor, e disse-lhe: Eis que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, propondo matar-te. ⁴³ Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz, e levanta-te; acolhe-te a Labão meu irmão, em Harã, ⁴⁴ E mora com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão; ⁴⁵ Até que se desvie de ti a ira de teu irmão, e se esqueça do que lhe fizeste; então mandarei trazer-te de lá; por que seria eu desfilhada também de vós ambos num mesmo dia? ⁴⁶ E disse Rebeca a Isaque: Enfadada estou da minha vida, por causa das filhas de Hete; se Jacó tomar mulher das filhas de Hete, como estas são, das filhas desta terra, para que me servirá a vida?

CAP-28

¹ E Isaque chamou a Jacó, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de Canaã; ² Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de Labão, irmão de tua mãe; ³ E Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos; ⁴ E te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a Abraão. ⁵ Assim despediu Isaque a Jacó, o qual se foi a Padã-Arã, a Labão, filho de Betuel, arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú. ⁶ Vendo, pois, Esaú que Isaque abençoara a Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para tomar mulher dali para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Canaã; ⁷ E que Jacó obedecera a seu pai e a sua mãe, e se fora a Padã-Arã; ⁸ Vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque seu pai, ⁹ Foi Esaú a Ismael, e tomou para si por mulher, além das suas mulheres, a Maalate filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote. ¹⁰ Partiu, pois, Jacó de Berseba, e foi a Harã; ¹¹ E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar. ¹² E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; ¹³ E eis que o Senhor estava em cima dela, e disse: Eu sou o Senhor Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; ¹⁴ E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; ¹⁵ E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado. ¹⁶ Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia. ¹⁷ E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus. ¹⁸ Então levantou-se Jacó pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que tinha posto por seu travesseiro, e a pôs por coluna, e derramou azeite em cima dela. ¹⁹ E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome porém daquela cidade antes era Luz. ²⁰ E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; ²¹ E eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor me será por Deus; ²² E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.

CAP-29

¹ Então pôs-se Jacó a caminho e foi à terra do povo do oriente; ² E olhou, e eis um poço no campo, e eis três rebanhos de ovelhas que estavam deitados junto a ele; porque daquele poço davam de beber aos rebanhos; e havia uma grande pedra sobre a boca do poço. ³ E ajuntavam ali todos os rebanhos, e removiam a pedra de sobre a boca do poço, e davam de beber às ovelhas; e tornavam a pôr a pedra sobre a boca do poço, no seu lugar. ⁴ E disse-lhes Jacó: Meus irmãos, donde sois? E disseram: Somos de Harã. ⁵ E ele lhes disse: Conheceis a Labão, filho de Naor? E disseram: Conhecemos. ⁶ Disse-lhes mais: Está ele bem? E disseram: Está bem, e eis aqui Raquel sua filha, que vem com as ovelhas. ⁷ E ele disse: Eis que ainda é pleno dia, não é tempo de ajuntar o gado; dai de beber às ovelhas, e ide apascentá-las. ⁸ E disseram: Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e removam a pedra de sobre a boca do poço, para que demos de beber às ovelhas. ⁹ Estando ele ainda falando com eles, veio Raquel com as ovelhas de seu pai; porque ela era pastora. ¹⁰ E aconteceu que, vendo Jacó a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe, chegou Jacó, e revolveu a pedra de sobre a boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão, irmão de sua mãe. ¹¹ E Jacó beijou a Raquel, e levantou a sua voz e chorou. ¹² E Jacó anunciou a Raquel que era irmão de seu pai, e que era filho de Rebeca; então ela correu, e o anunciou a seu pai. ¹³ E aconteceu que, ouvindo Labão as novas de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o à sua casa; e ele contou a Labão todas estas coisas. ¹⁴ Então Labão disse-lhe: Verdadeiramente és tu o meu osso e a minha carne. E ficou com ele um mês inteiro. ¹⁵ Depois disse Labão a Jacó: Porque tu és meu irmão, hás de servir-me de graça? Declara-me qual será o teu salário. ¹⁶ E Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o nome da menor Raquel. ¹⁷ Lia tinha olhos tenros, mas Raquel era de formoso semblante e formosa à vista. ¹⁸ E Jacó amava a Raquel, e disse: Sete anos te servirei por Raquel, tua filha menor. ¹⁹ Então disse Labão: Melhor é que eu a dê a ti, do que eu a dê a outro homem; fica comigo. ²⁰ Assim serviu Jacó sete anos por Raquel; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava. ²¹ E disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu me case com ela. ²² Então reuniu Labão a todos os homens daquele lugar, e fez um banquete. ²³ E aconteceu, à tarde, que tomou Lia, sua filha, e trouxe-a a Jacó que a possuiu. ²⁴ E Labão deu sua serva Zilpa a Lia, sua filha, por serva. ²⁵ E aconteceu que pela manhã, viu que era Lia; pelo que disse a Labão: Por que me fizeste isso? Não te tenho servido por Raquel? Por que então me enganaste? ²⁶ E disse Labão: Não se faz assim no nosso lugar, que a menor se dê antes da primogênita. ²⁷ Cumpre a semana desta; então te daremos também a outra, pelo serviço que ainda outros sete anos comigo servires. ²⁸ E Jacó fez assim, e cumpriu a semana de Lia; então lhe deu por mulher Raquel sua filha. ²⁹ E Labão deu sua serva Bila por serva a Raquel, sua filha. ³⁰ E possuiu também a Raquel, e amou também a Raquel mais do que a Lia e serviu com ele ainda outros sete anos. ³¹ Vendo, pois, o Senhor que Lia era desprezada, abriu a sua madre; porém Raquel era estéril. ³² E concebeu Lia, e deu à luz um filho, e chamou o seu nome Rúben; pois disse: Porque o Senhor atendeu à minha aflição, por isso agora me amará o meu marido. ³³ E concebeu outra vez, e deu à luz um filho, dizendo: Porquanto o Senhor ouviu que eu era desprezada, e deu-me também este. E chamou o seu nome Simeão. ³⁴ E concebeu outra vez, e deu à luz um filho, dizendo: Agora esta vez se unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe tenho dado. Por isso chamou o seu nome Levi. ³⁵ E concebeu outra vez e deu à luz um filho, dizendo: Esta vez louvarei ao Senhor. Por isso chamou o seu nome Judá; e cessou de dar à luz.

CAP-30

¹ Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve Raquel inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro. ² Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Estou eu no lugar de Deus, que te impediu o fruto de teu ventre? ³ E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela. ⁴ Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu. ⁵ E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho. ⁶ Então disse Raquel: Julgou-me Deus, e também ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou o seu nome Dã. ⁷ E Bila, serva de Raquel, concebeu outra vez, e deu a Jacó o segundo filho. ⁸ Então disse Raquel: Com grandes lutas tenho lutado com minha irmã; também venci; e chamou o seu nome Naftali. ⁹ Vendo, pois, Lia que cessava de ter filhos, tomou também a Zilpa, sua serva, e deu-a a Jacó por mulher. ¹⁰ E deu Zilpa, serva de Lia, um filho a Jacó. ¹¹ Então disse Lia: Afortunada! E chamou o seu nome Gade. ¹² Depois deu Zilpa, serva de Lia, um segundo filho a Jacó. ¹³ Então disse Lia: Para minha ventura; porque as filhas me terão por bem-aventurada; e chamou o seu nome Aser. ¹⁴ E foi Rúben nos dias da ceifa do trigo, e achou mandrágoras no campo. E trouxe-as a Lia sua mãe. Então disse Raquel a Lia: Ora dá-me das mandrágoras de teu filho. ¹⁵ E ela lhe disse: É já pouco que hajas tomado o meu marido, tomarás também as mandrágoras do meu filho? Então disse Raquel: Por isso ele se deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho. ¹⁶ Vindo, pois, Jacó à tarde do campo, saiu-lhe Lia ao encontro, e disse: A mim possuirás, esta noite, porque certamente te aluguei com as mandrágoras do meu filho. E deitou-se com ela aquela noite. ¹⁷ E ouviu Deus a Lia, e concebeu, e deu à luz um quinto filho a Jacó. ¹⁸ Então disse Lia: Deus me tem dado o meu galardão, pois tenho dado minha serva ao meu marido. E chamou o seu nome Issacar. ¹⁹ E Lia concebeu outra vez, e deu a Jacó um sexto filho. ²⁰ E disse Lia: Deus me deu uma boa dádiva; desta vez morará o meu marido comigo, porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou o seu nome Zebulom. ²¹ E depois teve uma filha, e chamou o seu nome Diná. ²² E lembrou-se Deus de Raquel; e Deus a ouviu, e abriu a sua madre. ²³ E ela concebeu, e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus a minha vergonha. ²⁴ E chamou o seu nome José, dizendo: O Senhor me acrescente outro filho. ²⁵ E aconteceu que, como Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Deixa-me ir, que me vá ao meu lugar, e à minha terra. ²⁶ Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e ir-me-ei; pois tu sabes o serviço que te tenho feito. ²⁷ Então lhe disse Labão: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica comigo. Tenho experimentado que o Senhor me abençoou por amor de ti. ²⁸ E disse mais: Determina-me o teu salário, que to darei. ²⁹ Então lhe disse: Tu sabes como te tenho servido, e como passou o teu gado comigo. ³⁰ Porque o pouco que tinhas antes de mim tem aumentado em grande número; e o Senhor te tem abençoado por meu trabalho. Agora, pois, quando hei de trabalhar também por minha casa? ³¹ E disse ele: Que te darei? Então disse Jacó: Nada me darás. Se me fizeres isto, tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho; ³² Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele todos os salpicados e malhados, e todos os morenos entre os cordeiros, e os malhados e salpicados entre as cabras; e isto será o meu salário. ³³ Assim testificará por mim a minha justiça no dia de amanhã, quando vieres e o meu salário estiver diante de tua face; tudo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e moreno entre os cordeiros, ser-me-á por furto. ³⁴ Então disse Labão: Quem dera seja conforme a tua palavra. ³⁵ E separou naquele mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas as cabras salpicadas e malhadas, todos em que havia brancura, e todos os morenos entre os cordeiros; e deu-os nas mãos dos seus filhos. ³⁶ E pôs três dias de caminho entre si e Jacó; e Jacó apascentava o restante dos rebanhos de Labão. ³⁷ Então tomou Jacó varas verdes de álamo e de aveleira e de castanheiro, e descascou nelas riscas brancas, descobrindo a brancura que nas varas havia, ³⁸ E pôs estas varas, que tinha descascado, em frente aos rebanhos, nos canos e nos bebedouros de água, aonde os rebanhos vinham beber, para que concebessem quando vinham beber. ³⁹ E concebiam os rebanhos diante das varas, e as ovelhas davam crias listradas, salpicadas e malhadas. ⁴⁰ Então separou Jacó os cordeiros, e pôs as faces do rebanho para os listrados, e todo o moreno entre o rebanho de Labão; e pôs o seu rebanho à parte, e não o pôs com o rebanho de Labão. ⁴¹ E sucedia que cada vez que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas nos canos, diante dos olhos do rebanho, para que concebessem diante das varas. ⁴² Mas, quando era fraco o rebanho, não as punha. Assim as fracas eram de Labão, e as fortes de Jacó. ⁴³ E cresceu o homem em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos e jumentos.

CAP-31

¹ Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacó tem tomado tudo o que era de nosso pai, e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória. ² Viu também Jacó o rosto de Labão, e eis que não era para com ele como anteriormente. ³ E disse o Senhor a Jacó: Torna-te à terra dos teus pais, e à tua parentela, e eu serei contigo. ⁴ Então mandou Jacó chamar a Raquel e a Lia ao campo, para junto do seu rebanho, ⁵ E disse-lhes: Vejo que o rosto de vosso pai não é para comigo como anteriormente; porém o Deus de meu pai tem estado comigo; ⁶ E vós mesmas sabeis que com todo o meu esforço tenho servido a vosso pai; ⁷ Mas vosso pai me enganou e mudou o salário dez vezes; porém Deus não lhe permitiu que me fizesse mal. ⁸ Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todos os rebanhos davam salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu salário, então todos os rebanhos davam listrados. ⁹ Assim Deus tirou o gado de vosso pai, e deu-o a mim. ¹⁰ E sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, eu levantei os meus olhos e vi em sonhos, e eis que os bodes, que cobriam as ovelhas, eram listrados, salpicados e malhados. ¹¹ E disse-me o anjo de Deus em sonhos: Jacó! E eu disse: Eis-me aqui. ¹² E disse ele: Levanta agora os teus olhos e vê todos os bodes que cobrem o rebanho, que são listrados, salpicados e malhados; porque tenho visto tudo o que Labão te fez. ¹³ Eu sou o Deus de Betel, onde tens ungido uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te agora, sai-te desta terra e torna-te à terra da tua parentela. ¹⁴ Então responderam Raquel e Lia e disseram-lhe: Há ainda para nós parte ou herança na casa de nosso pai? ¹⁵ Não nos considera ele como estranhas? Pois vendeu-nos, e comeu de todo o nosso dinheiro. ¹⁶ Porque toda a riqueza, que Deus tirou de nosso pai, é nossa e de nossos filhos; agora, pois, faze tudo o que Deus te mandou. ¹⁷ Então se levantou Jacó, pondo os seus filhos e as suas mulheres sobre os camelos; ¹⁸ E levou todo o seu gado, e todos os seus bens, que havia adquirido, o gado que possuía, que alcançara em Padã-Arã, para ir a Isaque, seu pai, à terra de Canaã. ¹⁹ E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Raquel os ídolos que seu pai tinha. ²⁰ E Jacó logrou a Labão, o arameu, porque não lhe fez saber que fugia. ²¹ E fugiu ele com tudo o que tinha, e levantou-se e passou o rio; e se dirigiu para a montanha de Gileade. ²² E no terceiro dia foi anunciado a Labão que Jacó tinha fugido. ²³ Então tomou consigo os seus irmãos, e atrás dele seguiu o seu caminho por sete dias; e alcançou-o na montanha de Gileade. ²⁴ Veio, porém, Deus a Labão, o arameu, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal. ²⁵ Alcançou, pois, Labão a Jacó, e armara Jacó a sua tenda naquela montanha; armou também Labão com os seus irmãos a sua, na montanha de Gileade. ²⁶ Então disse Labão a Jacó: Que fizeste, que me lograste e levaste as minhas filhas como cativas pela espada? ²⁷ Por que fugiste ocultamente, e lograste-me, e não me fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria, e com cânticos, e com tamboril e com harpa? ²⁸ Também não me permitiste beijar os meus filhos e as minhas filhas. Loucamente agiste, agora, fazendo assim. ²⁹ Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Deus de vosso pai me falou ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal. ³⁰ E agora se querias ir embora, porquanto tinhas saudades de voltar à casa de teu pai, por que furtaste os meus deuses? ³¹ Então respondeu Jacó, e disse a Labão: Porque temia; pois que dizia comigo, se porventura não me arrebatarias as tuas filhas. ³² Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de nossos irmãos o que é teu do que está comigo, e toma-o para ti. Pois Jacó não sabia que Raquel os tinha furtado. ³³ Então entrou Labão na tenda de Jacó, e na tenda de Lia, e na tenda de ambas as servas, e não os achou; e saindo da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel. ³⁴ Mas tinha tomado Raquel os ídolos e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre eles; e apalpou Labão toda a tenda, e não os achou. ³⁵ E ela disse a seu pai: Não se acenda a ira aos olhos de meu senhor, que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto tenho o costume das mulheres. E ele procurou, mas não achou os ídolos. ³⁶ Então irou-se Jacó e contendeu com Labão; e respondeu Jacó, e disse a Labão: Qual é a minha transgressão? Qual é o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido? ³⁷ Havendo apalpado todos os meus móveis, que achaste de todos os móveis de tua casa? Põe-no aqui diante dos meus irmãos e de teus irmãos; e que julguem entre nós ambos. ³⁸ Estes vinte anos eu estive contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho. ³⁹ Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite da minha mão o requerias. ⁴⁰ Estava eu assim: De dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu sono fugiu dos meus olhos. ⁴¹ Tenho estado agora vinte anos na tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas, e seis anos por teu rebanho; mas o meu salário tens mudado dez vezes. ⁴² Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o temor de Isaque não fora comigo, por certo me despedirias agora vazio. Deus atendeu à minha aflição, e ao trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite. ⁴³ Então respondeu Labão, e disse a Jacó: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos, e este rebanho é o meu rebanho, e tudo o que vês, é meu; e que farei hoje a estas minhas filhas, ou a seus filhos, que deram à luz? ⁴⁴ Agora pois vem, e façamos aliança eu e tu, que seja por testemunho entre mim e ti. ⁴⁵ Então tomou Jacó uma pedra, e erigiu-a por coluna. ⁴⁶ E disse Jacó a seus irmãos: Ajuntai pedras. E tomaram pedras, e fizeram um montão, e comeram ali sobre aquele montão. ⁴⁷ E chamou-o Labão Jegar-Saaduta; porém Jacó chamou-o Galeede. ⁴⁸ Então disse Labão: Este montão seja hoje por testemunha entre mim e ti. Por isso se lhe chamou Galeede, ⁴⁹ E Mispá, porquanto disse: Atente o Senhor entre mim e ti, quando nós estivermos apartados um do outro. ⁵⁰ Se afligires as minhas filhas, e se tomares mulheres além das minhas filhas, ninguém está conosco; atenta que Deus é testemunha entre mim e ti. ⁵¹ Disse mais Labão a Jacó: Eis aqui este mesmo montão, e eis aqui essa coluna que levantei entre mim e ti. ⁵² Este montão seja testemunha, e esta coluna seja testemunha, que eu não passarei este montão a ti, e que tu não passarás este montão e esta coluna a mim, para mal. ⁵³ O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus de seu pai, julgue entre nós. E jurou Jacó pelo temor de seu pai Isaque. ⁵⁴ E ofereceu Jacó um sacrifício na montanha, e convidou seus irmãos, para comer pão; e comeram pão e passaram a noite na montanha. ⁵⁵ E levantou-se Labão pela manhã de madrugada, e beijou seus filhos e suas filhas e abençoou-os e partiu; e voltou Labão ao seu lugar.

CAP-32

¹ Jacó também seguiu o seu caminho, e encontraram-no os anjos de Deus. ² E Jacó disse, quando os viu: Este é o exército de Deus. E chamou aquele lugar Maanaim. ³ E enviou Jacó mensageiros adiante de si a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom. ⁴ E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esaú: Assim diz Jacó, teu servo: Como peregrino morei com Labão, e me detive lá até agora; ⁵ E tenho bois e jumentos, ovelhas, e servos e servas; e enviei para o anunciar a meu senhor, para que ache graça em teus olhos. ⁶ E os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: Fomos a teu irmão Esaú; e também ele vem para encontrar-te, e quatrocentos homens com ele. ⁷ Então Jacó temeu muito e angustiou-se; e repartiu o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos, em dois bandos. ⁸ Porque dizia: Se Esaú vier a um bando e o ferir, o outro bando escapará. ⁹ Disse mais Jacó: Deus de meu pai Abraão, e Deus de meu pai Isaque, o Senhor, que me disseste: Torna-te à tua terra, e a tua parentela, e far-te-ei bem; ¹⁰ Menor sou eu que todas as beneficências, e que toda a fidelidade que fizeste ao teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e agora me tornei em dois bandos. ¹¹ Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú; porque eu o temo; porventura não venha, e me fira, e a mãe com os filhos. ¹² E tu o disseste: Certamente te farei bem, e farei a tua descendência como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar. ¹³ E passou ali aquela noite; e tomou do que lhe veio à sua mão, um presente para seu irmão Esaú: ¹⁴ Duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; ¹⁵ Trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez novilhos; vinte jumentas e dez jumentinhos; ¹⁶ E deu-os na mão dos seus servos, cada rebanho à parte, e disse a seus servos: Passai adiante de mim e ponde espaço entre rebanho e rebanho. ¹⁷ E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar, e te perguntar, dizendo: De quem és, e para onde vais, e de quem são estes diante de ti? ¹⁸ Então dirás: São de teu servo Jacó, presente que envia a meu senhor, a Esaú; e eis que ele mesmo vem também atrás de nós. ¹⁹ E ordenou também ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atrás dos rebanhos, dizendo: Conforme a esta mesma palavra falareis a Esaú, quando o achardes. ²⁰ E direis também: Eis que o teu servo Jacó vem atrás de nós. Porque dizia: Eu o aplacarei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua face; porventura ele me aceitará. ²¹ Assim, passou o presente adiante dele; ele, porém, passou aquela noite no arraial. ²² E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque. ²³ E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha. ²⁴ Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. ²⁵ E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. ²⁶ E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. ²⁷ E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. ²⁸ Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste. ²⁹ E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. ³⁰ E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva. ³¹ E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa. ³² Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da coxa de Jacó no nervo encolhido.

CAP-33

¹ E levantou Jacó os seus olhos, e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele. Então repartiu os filhos entre Lia, e Raquel, e as duas servas. ² E pôs as servas e seus filhos na frente, e a Lia e seus filhos atrás; porém a Raquel e José os derradeiros. ³ E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão. ⁴ Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram. ⁵ Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes contigo? E ele disse: Os filhos que Deus graciosamente tem dado a teu servo. ⁶ Então chegaram as servas; elas e os seus filhos, e inclinaram-se. ⁷ E chegou também Lia com seus filhos, e inclinaram-se; e depois chegou José e Raquel e inclinaram-se. ⁸ E disse Esaú: De que te serve todo este bando que tenho encontrado? E ele disse: Para achar graça aos olhos de meu senhor. ⁹ Mas Esaú disse: Eu tenho bastante, meu irmão; seja para ti o que tens. ¹⁰ Então disse Jacó: Não, se agora tenho achado graça em teus olhos, peço-te que tomes o meu presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tomaste contentamento em mim. ¹¹ Toma, peço-te, a minha bênção, que te foi trazida; porque Deus graciosamente ma tem dado; e porque tenho de tudo. E instou com ele, até que a tomou. ¹² E disse: Caminhemos, e andemos, e eu partirei adiante de ti. ¹³ Porém ele lhe disse: Meu senhor sabe que estes filhos são tenros, e que tenho comigo ovelhas e vacas de leite; se as afadigarem somente um dia, todo o rebanho morrerá. ¹⁴ Ora passe o meu senhor adiante de seu servo; e eu irei como guia pouco a pouco, conforme ao passo do gado que vai adiante de mim, e conforme ao passo dos meninos, até que chegue a meu senhor em Seir. ¹⁵ E Esaú disse: Permite então que eu deixe contigo alguns da minha gente. E ele disse: Para que é isso? Basta que ache graça aos olhos de meu senhor. ¹⁶ Assim voltou Esaú aquele dia pelo seu caminho a Seir. ¹⁷ Jacó, porém, partiu para Sucote e edificou para si uma casa; e fez cabanas para o seu gado; por isso chamou aquele lugar Sucote. ¹⁸ E chegou Jacó salvo a Salém, cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, quando vinha de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade. ¹⁹ E comprou uma parte do campo em que estendera a sua tenda, da mão dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro. ²⁰ E levantou ali um altar, e chamou-lhe: Deus, o Deus de Israel.

CAP-34

¹ E saiu Diná, filha de Lia, que esta dera a Jacó, para ver as filhas da terra. ² E Siquém, filho de Hamor, heveu, príncipe daquela terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a. ³ E apegou-se a sua alma a Diná, filha de Jacó, e amou a moça e falou afetuosamente à moça. ⁴ Falou também Siquém a Hamor, seu pai, dizendo: Toma-me esta moça por mulher. ⁵ Quando Jacó ouviu que Diná, sua filha, fora violada, estavam os seus filhos no campo com o gado; e calou-se Jacó até que viessem. ⁶ E saiu Hamor, pai de Siquém, a Jacó, para falar com ele. ⁷ E vieram os filhos de Jacó do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os homens, e iraram-se muito, porquanto Siquém cometera uma insensatez em Israel, deitando-se com a filha de Jacó; o que não se devia fazer assim. ⁸ Então falou Hamor com eles, dizendo: A alma de Siquém, meu filho, está enamorada da vossa filha; dai-lha, peço-vos, por mulher; ⁹ E aparentai-vos conosco, dai-nos as vossas filhas, e tomai as nossas filhas para vós; ¹⁰ E habitareis conosco; e a terra estará diante de vós; habitai e negociai nela, e tomai possessão nela. ¹¹ E disse Siquém ao pai dela, e aos irmãos dela: Ache eu graça em vossos olhos, e darei o que me disserdes; ¹² Aumentai muito sobre mim o dote e a dádiva e darei o que me disserdes; dai-me somente a moça por mulher. ¹³ Então responderam os filhos de Jacó a Siquém e a Hamor, seu pai, enganosamente, e falaram, porquanto havia violado a Diná, sua irmã. ¹⁴ E disseram-lhe: Não podemos fazer isso, dar a nossa irmã a um homem não circuncidado; porque isso seria uma vergonha para nós; ¹⁵ Nisso, porém, consentiremos a vós: se fordes como nós; que se circuncide todo o homem entre vós; ¹⁶ Então dar-vos-emos as nossas filhas, e tomaremos nós as vossas filhas, e habitaremos convosco, e seremos um povo; ¹⁷ Mas se não nos ouvirdes, e não vos circuncidardes, tomaremos a nossa filha e ir-nos-emos. ¹⁸ E suas palavras foram boas aos olhos de Hamor, e aos olhos de Siquém, filho de Hamor. ¹⁹ E não tardou o jovem em fazer isto; porque a filha de Jacó lhe contentava; e ele era o mais honrado de toda a casa de seu pai. ²⁰ Veio, pois, Hamor e Siquém, seu filho, à porta da sua cidade, e falaram aos homens da sua cidade, dizendo: ²¹ Estes homens são pacíficos conosco; portanto habitarão nesta terra, e negociarão nela; eis que a terra é larga de espaço para eles; tomaremos nós as suas filhas por mulheres, e lhes daremos as nossas filhas. ²² Nisto, porém, consentirão aqueles homens, em habitar conosco, para que sejamos um povo, se todo o homem entre nós se circuncidar, como eles são circuncidados. ²³ E seu gado, as suas possessões, e todos os seus animais não serão nossos? Consintamos somente com eles e habitarão conosco. ²⁴ E deram ouvidos a Hamor e a Siquém, seu filho, todos os que saíam da porta da cidade; e foi circuncidado todo o homem, de todos os que saíam pela porta da sua cidade. ²⁵ E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a mais violenta dor, os dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, e mataram todos os homens. ²⁶ Mataram também ao fio da espada a Hamor, e a seu filho Siquém; e tomaram a Diná da casa de Siquém, e saíram. ²⁷ Vieram os filhos de Jacó aos mortos e saquearam a cidade; porquanto violaram a sua irmã. ²⁸ As suas ovelhas, e as suas vacas, e os seus jumentos, e o que havia na cidade e no campo, tomaram. ²⁹ E todos os seus bens, e todos os seus meninos, e as suas mulheres, levaram presos, e saquearam tudo o que havia em casa. ³⁰ Então disse Jacó a Simeão e a Levi: Tendes-me turbado, fazendo-me cheirar mal entre os moradores desta terra, entre os cananeus e perizeus; tendo eu pouco povo em número, eles ajuntar-se-ão contra mim e me ferirão, e serei destruído, eu e minha casa. ³¹ E eles disseram: Devia ele tratar a nossa irmã como a uma prostituta?

CAP-35

¹ Depois disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu, quando fugiste da face de Esaú teu irmão. ² Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes. ³ E levantemo-nos, e subamos a Betel; e ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho que tenho andado. ⁴ Então deram a Jacó todos os deuses estranhos, que tinham em suas mãos, e os brincos, que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém. ⁵ E partiram; e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Jacó. ⁶ Assim chegou Jacó a Luz, que está na terra de Canaã (esta é Betel), ele e todo o povo que com ele havia. ⁷ E edificou ali um altar, e chamou aquele lugar El-Betel; porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado, quando fugia da face de seu irmão. ⁸ E morreu Débora, a ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do carvalho cujo nome chamou Alom-Bacute. ⁹ E apareceu Deus outra vez a Jacó, vindo de Padã-Arã, e abençoou-o. ¹⁰ E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel. ¹¹ Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos; ¹² E te darei a ti a terra que tenho dado a Abraão e a Isaque, e à tua descendência depois de ti darei a terra. ¹³ E Deus subiu dele, do lugar onde falara com ele. ¹⁴ E Jacó pôs uma coluna no lugar onde falara com ele, uma coluna de pedra; e derramou sobre ela uma libação, e deitou sobre ela azeite. ¹⁵ E chamou Jacó o nome daquele lugar, onde Deus falara com ele, Betel. ¹⁶ E partiram de Betel; e havia ainda um pequeno espaço de terra para chegar a Efrata, e deu à luz Raquel, e ela teve trabalho em seu parto. ¹⁷ E aconteceu que, tendo ela trabalho em seu parto, lhe disse a parteira: Não temas, porque também este filho terás. ¹⁸ E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), ela chamou o seu nome Benoni; mas seu pai chamou-lhe Benjamim. ¹⁹ Assim morreu Raquel, e foi sepultada no caminho de Efrata; que é Belém. ²⁰ E Jacó pôs uma coluna sobre a sua sepultura; esta é a coluna da sepultura de Raquel até o dia de hoje. ²¹ Então partiu Israel, e estendeu a sua tenda além de Migdal Eder. ²² E aconteceu que, habitando Israel naquela terra, foi Rúben e deitou-se com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube. E eram doze os filhos de Jacó. ²³ Os filhos de Lia: Rúben, o primogênito de Jacó, depois Simeão e Levi, e Judá, e Issacar e Zebulom; ²⁴ Os filhos de Raquel: José e Benjamim; ²⁵ E os filhos de Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali; ²⁶ E os filhos de Zilpa, serva de Lia: Gade e Aser. Estes são os filhos de Jacó, que lhe nasceram em Padã-Arã. ²⁷ E Jacó veio a seu pai Isaque, a Manre, a Quiriate-Arba (que é Hebrom), onde peregrinaram Abraão e Isaque. ²⁸ E foram os dias de Isaque cento e oitenta anos. ²⁹ E Isaque expirou, e morreu, e foi recolhido ao seu povo, velho e farto de dias; e Esaú e Jacó, seus filhos, o sepultaram.

CAP-36

¹ E estas são as gerações de Esaú (que é Edom). ² Esaú tomou suas mulheres das filhas de Canaã; a Ada, filha de Elom, heteu, e a Aolibama, filha de Aná, filho de Zibeão, heveu. ³ E a Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote. ⁴ E Ada teve de Esaú a Elifaz; e Basemate teve a Reuel; ⁵ E Aolibama deu à luz a Jeús, Jalão e Coré; estes são os filhos de Esaú, que lhe nasceram na terra de Canaã. ⁶ E Esaú tomou suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, e todas as almas de sua casa, e seu gado, e todos os seus animais, e todos os seus bens, que havia adquirido na terra de Canaã; e foi para outra terra apartando-se de Jacó, seu irmão; ⁷ Porque os bens deles eram muitos para habitarem juntos; e a terra de suas peregrinações não os podia sustentar por causa do seu gado. ⁸ Portanto Esaú habitou na montanha de Seir; Esaú é Edom. ⁹ Estas, pois, são as gerações de Esaú, pai dos edomeus, na montanha de Seir. ¹⁰ Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú; Reuel, filho de Basemate, mulher de Esaú. ¹¹ E os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Zefô, Gaetã e Quenaz. ¹² E Timna era concubina de Elifaz, filho de Esaú, e teve de Elifaz a Amaleque. Estes são os filhos de Ada, mulher de Esaú. ¹³ E estes foram os filhos de Reuel: Naate, Zerá, Samá e Mizá; estes foram os filhos de Basemate, mulher de Esaú. ¹⁴ E estes foram os filhos de Aolibama, mulher de Esaú e filha de Aná, filha de Zibeão; ela teve de Esaú: Jeús, Jalão e Coré. ¹⁵ Estes são os príncipes dos filhos de Esaú: os filhos de Elifaz, o primogênito de Esaú, o príncipe Temã, o príncipe Omar, o príncipe Zefô, o príncipe Quenaz. ¹⁶ O príncipe Coré, o príncipe Gaetã, o príncipe Amaleque; estes são os príncipes de Elifaz na terra de Edom; estes são os filhos de Ada. ¹⁷ E estes são os filhos de Reuel, filhos de Esaú: o príncipe Naate, o príncipe Zerá, o príncipe Samá, o príncipe Mizá; estes são os príncipes de Reuel, na terra de Edom; estes são os filhos de Basemate, mulher de Esaú. ¹⁸ E estes são os filhos de Aolibama, mulher de Esaú: o príncipe Jeús, o príncipe Jalão, o príncipe Coré; estes são os príncipes de Aolibama, filha de Aná, mulher de Esaú. ¹⁹ Estes são os filhos de Esaú, e estes são seus príncipes: Ele é Edom. ²⁰ Estes são os filhos de Seir, horeu, moradores daquela terra: Lotã, Sobal, Zibeão e Aná, ²¹ Disom, Eser e Disã; estes são os príncipes dos horeus, filhos de Seir, na terra de Edom. ²² E os filhos de Lotã foram Hori e Homã; e a irmã de Lotã era Timna. ²³ Estes são os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã. ²⁴ E estes são os filhos de Zibeão: Aiá e Aná; este é o Aná que achou as mulas no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeão, seu pai. ²⁵ E estes são os filhos de Aná: Disom e Aolibama, a filha de Aná. ²⁶ E estes são os filhos de Disã: Hendã, Esbã, Itrã e Querã. ²⁷ Estes são os filhos de Eser: Bilã, Zaavã e Acã. ²⁸ Estes são os filhos de Disã: Uz e Arã. ²⁹ Estes são os príncipes dos horeus: o príncipe Lotã, o príncipe Sobal, o príncipe Zibeão, o príncipe Aná. ³⁰ O príncipe Disom, o príncipe Eser, o príncipe Disã: estes são os príncipes dos horeus segundo os seus principados na terra de Seir. ³¹ E estes são os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei algum sobre os filhos de Israel. ³² Reinou, pois, em Edom Bela, filho de Beor, e o nome da sua cidade foi Dinabá. ³³ E morreu Bela; e Jobabe, filho de Zerá, de Bozra, reinou em seu lugar. ³⁴ E morreu Jobabe; e Husão, da terra dos temanitas, reinou em seu lugar. ³⁵ E morreu Husão, e em seu lugar reinou Hadade, filho de Bedade, o que feriu a Midiã, no campo de Moabe; e o nome da sua cidade foi Avite. ³⁶ E morreu Hadade; e Samlá de Masreca reinou em seu lugar. ³⁷ E morreu Samlá; e Saul de Reobote, junto ao rio, reinou em seu lugar. ³⁸ E morreu Saul; e Baal-Hanã, filho de Acbor, reinou em seu lugar. ³⁹ E morreu Baal-Hanã, filho de Acbor; e Hadar reinou em seu lugar, e o nome de sua cidade foi Pau; e o nome de sua mulher foi Meetabel, filha de Matrede, filha de Me-Zaabe. ⁴⁰ E estes são os nomes dos príncipes de Esaú, segundo as suas gerações, segundo os seus lugares, com os seus nomes: o príncipe Timna, o príncipe Alva, o príncipe Jetete, ⁴¹ O príncipe Aolibama, o príncipe Elá, o príncipe Pinom, ⁴² O príncipe Quenaz, o príncipe Temã, o príncipe Mibzar, ⁴³ O príncipe Magdiel, o príncipe Irã: estes são os príncipes de Edom, segundo as suas habitações, na terra da sua possessão. Este é Esaú, pai de Edom.

CAP-37

¹ E Jacó habitou na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã. ² Estas são as gerações de Jacó. Sendo José de dezessete anos, apascentava as ovelhas com seus irmãos; sendo ainda jovem, andava com os filhos de Bila, e com os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e José trazia más notícias deles a seu pai. ³ E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. ⁴ Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiaram-no, e não podiam falar com ele pacificamente. ⁵ Teve José um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais. ⁶ E disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho, que tenho sonhado: ⁷ Eis que estávamos atando molhos no meio do campo, e eis que o meu molho se levantava, e também ficava em pé, e eis que os vossos molhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu molho. ⁸ Então lhe disseram seus irmãos: Tu, pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós? Por isso ainda mais o odiavam por seus sonhos e por suas palavras. ⁹ E teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim. ¹⁰ E contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e disse-lhe: Que sonho é este que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra? ¹¹ Seus irmãos, pois, o invejavam; seu pai porém guardava este negócio no seu coração. ¹² E seus irmãos foram apascentar o rebanho de seu pai, junto de Siquém. ¹³ Disse, pois, Israel a José: Não apascentam os teus irmãos junto de Siquém? Vem, e enviar-te-ei a eles. E ele respondeu: Eis-me aqui. ¹⁴ E ele lhe disse: Ora vai, vê como estão teus irmãos, e como está o rebanho, e traze-me resposta. Assim o enviou do vale de Hebrom, e foi a Siquém. ¹⁵ E achou-o um homem, porque eis que andava errante pelo campo, e perguntou-lhe o homem, dizendo: Que procuras? ¹⁶ E ele disse: Procuro meus irmãos; dize-me, peço-te, onde eles apascentam. ¹⁷ E disse aquele homem: Foram-se daqui; porque ouvi-os dizer: Vamos a Dotã. José, pois, seguiu atrás de seus irmãos, e achou-os em Dotã. ¹⁸ E viram-no de longe e, antes que chegasse a eles, conspiraram contra ele para o matarem. ¹⁹ E disseram um ao outro: Eis lá vem o sonhador-mor! ²⁰ Vinde, pois, agora, e matemo-lo, e lancemo-lo numa destas covas, e diremos: Uma fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos. ²¹ E ouvindo-o Rúben, livrou-o das suas mãos, e disse: Não lhe tiremos a vida. ²² Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cova, que está no deserto, e não lanceis mãos nele; isto disse para livrá-lo das mãos deles e para torná-lo a seu pai. ²³ E aconteceu que, chegando José a seus irmãos, tiraram de José a sua túnica, a túnica de várias cores, que trazia. ²⁴ E tomaram-no, e lançaram-no na cova; porém a cova estava vazia, não havia água nela. ²⁵ Depois assentaram-se a comer pão; e levantaram os seus olhos, e olharam, e eis que uma companhia de ismaelitas vinha de Gileade; e seus camelos traziam especiarias e bálsamo e mirra, e iam levá-los ao Egito. ²⁶ Então Judá disse aos seus irmãos: Que proveito haverá que matemos a nosso irmão e escondamos o seu sangue? ²⁷ Vinde e vendamo-lo a estes ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele; porque ele é nosso irmão, nossa carne. E seus irmãos obedeceram. ²⁸ Passando, pois, os mercadores midianitas, tiraram e alçaram a José da cova, e venderam José por vinte moedas de prata, aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito. ²⁹ Voltando, pois, Rúben à cova, eis que José não estava na cova; então rasgou as suas vestes. ³⁰ E voltou a seus irmãos e disse: O menino não está; e eu aonde irei? ³¹ Então tomaram a túnica de José, e mataram um cabrito, e tingiram a túnica no sangue. ³² E enviaram a túnica de várias cores, mandando levá-la a seu pai, e disseram: Temos achado esta túnica; conhece agora se esta será ou não a túnica de teu filho. ³³ E conheceu-a, e disse: É a túnica de meu filho; uma fera o comeu; certamente José foi despedaçado. ³⁴ Então Jacó rasgou as suas vestes, pôs saco sobre os seus lombos e lamentou a seu filho muitos dias. ³⁵ E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; recusou porém ser consolado, e disse: Porquanto com choro hei de descer ao meu filho até à sepultura. Assim o chorou seu pai. ³⁶ E os midianitas venderam-no no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda.

CAP-38

¹ E aconteceu no mesmo tempo que Judá desceu de entre seus irmãos e entrou na casa de um homem de Adulão, cujo nome era Hira, ² E viu Judá ali a filha de um homem cananeu, cujo nome era Sua; e tomou-a por mulher, e a possuiu. ³ E ela concebeu e deu à luz um filho, e chamou o seu nome Er. ⁴ E tornou a conceber e deu à luz um filho, e ela chamou o seu nome Onã. ⁵ E continuou ainda e deu à luz um filho, e chamou o seu nome Selá; e Judá estava em Quezibe, quando ela o deu à luz. ⁶ Judá, pois, tomou uma mulher para Er, o seu primogênito, e o seu nome era Tamar. ⁷ Er, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, por isso o Senhor o matou. ⁸ Então disse Judá a Onã: Toma a mulher do teu irmão, e casa-te com ela, e suscita descendência a teu irmão. ⁹ Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão. ¹⁰ E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que também o matou. ¹¹ Então disse Judá a Tamar sua nora: Fica-te viúva na casa de teu pai, até que Selá, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que porventura não morra também este, como seus irmãos. Assim se foi Tamar e ficou na casa de seu pai. ¹² Passando-se pois muitos dias, morreu a filha de Sua, mulher de Judá; e depois de consolado Judá subiu aos tosquiadores das suas ovelhas em Timna, ele e Hira, seu amigo, o adulamita. ¹³ E deram aviso a Tamar, dizendo: Eis que o teu sogro sobe a Timna, a tosquiar as suas ovelhas. ¹⁴ Então ela tirou de sobre si os vestidos da sua viuvez e cobriu-se com o véu, e envolveu-se, e assentou-se à entrada das duas fontes que estão no caminho de Timna, porque via que Selá já era grande, e ela não lhe fora dada por mulher. ¹⁵ E vendo-a Judá, teve-a por uma prostituta, porque ela tinha coberto o seu rosto. ¹⁶ E dirigiu-se a ela no caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me possuir-te. Porquanto não sabia que era sua nora. E ela disse: Que darás, para que possuas a mim? ¹⁷ E ele disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. E ela disse: Dar-me-ás penhor até que o envies? ¹⁸ Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, e o teu cordão, e o cajado que está em tua mão. O que ele lhe deu, e possuiu-a, e ela concebeu dele. ¹⁹ E ela se levantou, e se foi e tirou de sobre si o seu véu, e vestiu os vestidos da sua viuvez. ²⁰ E Judá enviou o cabrito por mão do seu amigo, o adulamita, para tomar o penhor da mão da mulher; porém não a achou. ²¹ E perguntou aos homens daquele lugar, dizendo: Onde está a prostituta que estava no caminho junto às duas fontes? E disseram: Aqui não esteve prostituta alguma. ²² E tornou-se a Judá e disse: Não a achei; e também disseram os homens daquele lugar: Aqui não esteve prostituta. ²³ Então disse Judá: Deixa-a ficar com o penhor, para que porventura não caiamos em desprezo; eis que tenho enviado este cabrito; mas tu não a achaste. ²⁴ E aconteceu que, quase três meses depois, deram aviso a Judá, dizendo: Tamar, tua nora, adulterou, e eis que está grávida do adultério. Então disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada. ²⁵ E tirando-a fora, ela mandou dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas eu concebi. E ela disse mais: Conhece, peço-te, de quem é este selo, e este cordão, e este cajado. ²⁶ E conheceu-os Judá e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá meu filho. E nunca mais a conheceu. ²⁷ E aconteceu ao tempo de dar à luz que havia gêmeos em seu ventre; ²⁸ E sucedeu que, dando ela à luz, que um pôs fora a mão, e a parteira tomou-a, e atou em sua mão um fio encarnado, dizendo: Este saiu primeiro. ²⁹ Mas aconteceu que, tornando ele a recolher a sua mão, eis que saiu o seu irmão, e ela disse: Como tu tens rompido, sobre ti é a rotura. E chamaram o seu nome Perez. ³⁰ E depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio encarnado; e chamaram o seu nome Zerá.

CAP-39

¹ E José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda, homem egípcio, comprou-o da mão dos ismaelitas que o tinham levado lá. ² E o Senhor estava com José, e foi homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio. ³ Vendo, pois, o seu senhor que o Senhor estava com ele, e tudo o que fazia o Senhor prosperava em sua mão, ⁴ José achou graça em seus olhos, e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha. ⁵ E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo. ⁶ E deixou tudo o que tinha na mão de José, de maneira que nada sabia do que estava com ele, a não ser do pão que comia. E José era formoso de porte, e de semblante. ⁷ E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os seus olhos em José, e disse: Deita-te comigo. ⁸ Porém ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo, e entregou em minha mão tudo o que tem; ⁹ Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? ¹⁰ E aconteceu que, falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvidos, para deitar-se com ela, e estar com ela, ¹¹ Sucedeu num certo dia que ele veio à casa para fazer seu serviço; e nenhum dos homens da casa estava ali; ¹² E ela lhe pegou pela sua roupa, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu, e saiu para fora. ¹³ E aconteceu que, vendo ela que deixara a sua roupa em sua mão, e fugira para fora, ¹⁴ Chamou aos homens de sua casa, e falou-lhes, dizendo: Vede, meu marido trouxe-nos um homem hebreu para escarnecer de nós; veio a mim para deitar-se comigo, e eu gritei com grande voz; ¹⁵ E aconteceu que, ouvindo ele que eu levantava a minha voz e gritava, deixou a sua roupa comigo, e fugiu, e saiu para fora. ¹⁶ E ela pôs a sua roupa perto de si, até que o seu senhor voltou à sua casa. ¹⁷ Então falou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: Veio a mim o servo hebreu, que nos trouxeste, para escarnecer de mim; ¹⁸ E aconteceu que, levantando eu a minha voz e gritando, ele deixou a sua roupa comigo, e fugiu para fora. ¹⁹ E aconteceu que, ouvindo o seu senhor as palavras de sua mulher, que lhe falava, dizendo: Conforme a estas mesmas palavras me fez teu servo, a sua ira se acendeu. ²⁰ E o senhor de José o tomou, e o entregou na casa do cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; assim esteve ali na casa do cárcere. ²¹ O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor. ²² E o carcereiro-mor entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do cárcere, e ele ordenava tudo o que se fazia ali. ²³ E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o Senhor estava com ele, e tudo o que fazia o Senhor prosperava.

CAP-40

¹ E aconteceu, depois destas coisas, que o copeiro do rei do Egito, e o seu padeiro, ofenderam o seu senhor, o rei do Egito. ² E indignou-se Faraó muito contra os seus dois oficiais, contra o copeiro-mor e contra o padeiro-mor. ³ E entregou-os à prisão, na casa do capitão da guarda, na casa do cárcere, no lugar onde José estava preso. ⁴ E o capitão da guarda pô-los a cargo de José, para que os servisse; e estiveram muitos dias na prisão. ⁵ E ambos tiveram um sonho, cada um seu sonho, na mesma noite, cada um conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam presos na casa do cárcere. ⁶ E veio José a eles pela manhã, e olhou para eles, e viu que estavam perturbados. ⁷ Então perguntou aos oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere da casa de seu senhor, dizendo: Por que estão hoje tristes os vossos semblantes? ⁸ E eles lhe disseram: Tivemos um sonho, e ninguém há que o interprete. E José disse-lhes: Não são de Deus as interpretações? Contai-mo, peço-vos. ⁹ Então contou o copeiro-mor o seu sonho a José, e disse-lhe: Eis que em meu sonho havia uma vide diante da minha face. ¹⁰ E na vide três ramos, e brotando ela, a sua flor saía, e os seus cachos amadureciam em uvas; ¹¹ E o copo de Faraó estava na minha mão, e eu tomava as uvas, e as espremia no copo de Faraó, e dava o copo na mão de Faraó. ¹² Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: Os três ramos são três dias; ¹³ Dentro ainda de três dias Faraó levantará a tua cabeça, e te restaurará ao teu estado, e darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras seu copeiro. ¹⁴ Porém lembra-te de mim, quando te for bem; e rogo-te que uses comigo de compaixão, e que faças menção de mim a Faraó, e faze-me sair desta casa; ¹⁵ Porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tampouco aqui nada tenho feito para que me pusessem nesta cova. ¹⁶ Vendo então o padeiro-mor que tinha interpretado bem, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos brancos estavam sobre a minha cabeça; ¹⁷ E no cesto mais alto havia de todos os manjares de Faraó, obra de padeiro; e as aves o comiam do cesto, de sobre a minha cabeça. ¹⁸ Então respondeu José, e disse: Esta é a sua interpretação: Os três cestos são três dias; ¹⁹ Dentro ainda de três dias Faraó tirará a tua cabeça e te pendurará num pau, e as aves comerão a tua carne de sobre ti. ²⁰ E aconteceu ao terceiro dia, o dia do nascimento de Faraó, que fez um banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mor, e a cabeça do padeiro-mor, no meio dos seus servos. ²¹ E fez tornar o copeiro-mor ao seu ofício de copeiro, e este deu o copo na mão de Faraó, ²² Mas ao padeiro-mor enforcou, como José havia interpretado. ²³ O copeiro-mor, porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu dele.

CAP-41

¹ E aconteceu que, ao fim de dois anos inteiros, Faraó sonhou, e eis que estava em pé junto ao rio. ² E eis que subiam do rio sete vacas, formosas à vista e gordas de carne, e pastavam no prado. ³ E eis que subiam do rio após elas outras sete vacas, feias à vista e magras de carne; e paravam junto às outras vacas na praia do rio. ⁴ E as vacas feias à vista e magras de carne, comiam as sete vacas formosas à vista e gordas. Então acordou Faraó. ⁵ Depois dormiu e sonhou outra vez, e eis que brotavam de um mesmo pé sete espigas cheias e boas. ⁶ E eis que sete espigas miúdas, e queimadas do vento oriental, brotavam após elas. ⁷ E as espigas miúdas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então acordou Faraó, e eis que era um sonho. ⁸ E aconteceu que pela manhã o seu espírito perturbou-se, e enviou e chamou todos os adivinhadores do Egito, e todos os seus sábios; e Faraó contou-lhes os seus sonhos, mas ninguém havia que os interpretasse a Faraó. ⁹ Então falou o copeiro-mor a Faraó, dizendo: Das minhas ofensas me lembro hoje: ¹⁰ Estando Faraó muito indignado contra os seus servos, e pondo-me sob prisão na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro-mor, ¹¹ Então sonhamos um sonho na mesma noite, eu e ele; sonhamos, cada um conforme a interpretação do seu sonho. ¹² E estava ali conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda, e contamos-lhe os nossos sonhos e ele interpretou-nos os nossos sonhos, a cada um ele interpretou conforme o seu sonho. ¹³ E como ele nos interpretou, assim aconteceu; a mim me foi restituído o meu cargo, e ele foi enforcado. ¹⁴ Então mandou Faraó chamar a José, e o fizeram sair logo do cárcere; e barbeou-se e mudou as suas roupas e apresentou-se a Faraó. ¹⁵ E Faraó disse a José: Eu tive um sonho, e ninguém há que o interprete; mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas. ¹⁶ E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó. ¹⁷ Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava eu em pé na margem do rio, ¹⁸ E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado. ¹⁹ E eis que outras sete vacas subiam após estas, fracas, muito feias à vista e magras de carne; não tenho visto outras tais, quanto à fealdade, em toda a terra do Egito. ²⁰ E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; ²¹ E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado; porque o seu parecer era feio como no princípio. Então acordei. ²² Depois vi em meu sonho, e eis que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas; ²³ E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas. ²⁴ E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. E eu contei isso aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse. ²⁵ Então disse José a Faraó: O sonho de Faraó é um só; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó. ²⁶ As sete vacas formosas são sete anos, as sete espigas formosas também são sete anos, o sonho é um só. ²⁷ E as sete vacas feias à vista e magras, que subiam depois delas, são sete anos, e as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental, serão sete anos de fome. ²⁸ Esta é a palavra que tenho dito a Faraó; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó. ²⁹ E eis que vem sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito. ³⁰ E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; ³¹ E não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que haverá depois; porquanto será gravíssima. ³² E que o sonho foi repetido duas vezes a Faraó, é porque esta coisa é determinada por Deus, e Deus se apressa em fazê-la. ³³ Portanto, Faraó previna-se agora de um homem entendido e sábio, e o ponha sobre a terra do Egito. ³⁴ Faça isso Faraó e ponha governadores sobre a terra, e tome a quinta parte da terra do Egito nos sete anos de fartura, ³⁵ E ajuntem toda a comida destes bons anos, que vêm, e amontoem o trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem. ³⁶ Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome, que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome. ³⁷ E esta palavra foi boa aos olhos de Faraó, e aos olhos de todos os seus servos. ³⁸ E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um homem como este em quem haja o espírito de Deus? ³⁹ Depois disse Faraó a José: Pois que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão entendido e sábio como tu. ⁴⁰ Tu estarás sobre a minha casa, e por tua boca se governará todo o meu povo, somente no trono eu serei maior que tu. ⁴¹ Disse mais Faraó a José: Vês aqui te tenho posto sobre toda a terra do Egito. ⁴² E tirou Faraó o anel da sua mão, e o pôs na mão de José, e o fez vestir de roupas de linho fino, e pôs um colar de ouro no seu pescoço. ⁴³ E o fez subir no segundo carro que tinha, e clamavam diante dele: Ajoelhai. Assim o pôs sobre toda a terra do Egito. ⁴⁴ E disse Faraó a José: Eu sou Faraó; porém sem ti ninguém levantará a sua mão ou o seu pé em toda a terra do Egito. ⁴⁵ E Faraó chamou o nome de José de Zafenate-Paneia, e deu-lhe por mulher a Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om; e saiu José por toda a terra do Egito. ⁴⁶ E José era da idade de trinta anos quando se apresentou a Faraó, rei do Egito. E saiu José da presença de Faraó e passou por toda a terra do Egito. ⁴⁷ E nos sete anos de fartura a terra produziu abundantemente. ⁴⁸ E ele ajuntou todo o mantimento dos sete anos, que houve na terra do Egito; e guardou o mantimento nas cidades, pondo nas mesmas o mantimento do campo que estava ao redor de cada cidade. ⁴⁹ Assim ajuntou José muitíssimo trigo, como a areia do mar, até que cessou de contar; porquanto não havia numeração. ⁵⁰ E nasceram a José dois filhos (antes que viesse um ano de fome), que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. ⁵¹ E chamou José o nome do primogênito Manassés, porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai. ⁵² E ao nome do segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição. ⁵³ Então acabaram-se os sete anos de fartura que havia na terra do Egito. ⁵⁴ E começaram a vir os sete anos de fome, como José tinha dito; e havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão. ⁵⁵ E tendo toda a terra do Egito fome, clamou o povo a Faraó por pão; e Faraó disse a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser, fazei. ⁵⁶ Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia mantimento, e vendeu aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito. ⁵⁷ E de todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José; porquanto a fome prevaleceu em todas as terras.

CAP-42

¹ Vendo então Jacó que havia mantimento no Egito, disse Jacó a seus filhos: Por que estais olhando uns para os outros? ² Disse mais: Eis que tenho ouvido que há mantimentos no Egito; descei para lá, e comprai-nos dali, para que vivamos e não morramos. ³ Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo no Egito. ⁴ A Benjamim, porém, irmão de José, não enviou Jacó com os seus irmãos, porque dizia: Para que lhe não suceda, porventura, algum desastre. ⁵ Assim, entre os que iam lá foram os filhos de Israel para comprar, porque havia fome na terra de Canaã. ⁶ José, pois, era o governador daquela terra; ele vendia a todo o povo da terra; e os irmãos de José chegaram e inclinaram-se a ele, com o rosto em terra. ⁷ E José, vendo os seus irmãos, conheceu-os; porém mostrou-se estranho para com eles, e falou-lhes asperamente, e disse-lhes: De onde vindes? E eles disseram: Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento. ⁸ José, pois, conheceu os seus irmãos; mas eles não o conheceram. ⁹ Então José lembrou-se dos sonhos que havia tido deles e disse-lhes: Vós sois espias, e viestes para ver a nudez da terra. ¹⁰ E eles lhe disseram: Não, senhor meu; mas teus servos vieram comprar mantimento. ¹¹ Todos nós somos filhos de um mesmo homem; somos homens de retidão; os teus servos não são espias. ¹² E ele lhes disse: Não; antes viestes para ver a nudez da terra. ¹³ E eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã; e eis que o mais novo está com nosso pai hoje; mas um já não existe. ¹⁴ Então lhes disse José: Isso é o que vos tenho dito, sois espias; ¹⁵ Nisto sereis provados; pela vida de Faraó, não saireis daqui senão quando vosso irmão mais novo vier aqui. ¹⁶ Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão, mas vós ficareis presos, e vossas palavras sejam provadas, se há verdade convosco; e se não, pela vida de Faraó, vós sois espias. ¹⁷ E pô-los juntos, em prisão, três dias. ¹⁸ E ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; porque eu temo a Deus. ¹⁹ Se sois homens de retidão, que fique um de vossos irmãos preso na casa de vossa prisão; e vós ide, levai mantimento para a fome de vossa casa, ²⁰ E trazei-me o vosso irmão mais novo, e serão verificadas vossas palavras, e não morrereis. E eles assim fizeram. ²¹ Então disseram uns aos outros: Na verdade, somos culpados acerca de nosso irmão, pois vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava; nós porém não ouvimos, por isso vem sobre nós esta angústia. ²² E Rúben respondeu-lhes, dizendo: Não vo-lo dizia eu: Não pequeis contra o menino; mas não ouvistes; e vedes aqui, o seu sangue também é requerido. ²³ E eles não sabiam que José os entendia, porque havia intérprete entre eles. ²⁴ E retirou-se deles e chorou. Depois tornou a eles, e falou-lhes, e tomou a Simeão dentre eles, e amarrou-o perante os seus olhos. ²⁵ E ordenou José, que enchessem os seus sacos de trigo, e que lhes restituíssem o seu dinheiro a cada um no seu saco, e lhes dessem comida para o caminho; e fizeram-lhes assim. ²⁶ E carregaram o seu trigo sobre os seus jumentos e partiram dali. ²⁷ E, abrindo um deles o seu saco, para dar pasto ao seu jumento na estalagem, viu o seu dinheiro; porque eis que estava na boca do seu saco. ²⁸ E disse a seus irmãos: Devolveram o meu dinheiro, e ei-lo também aqui no saco. Então lhes desfaleceu o coração, e pasmavam, dizendo um ao outro: Que é isto que Deus nos tem feito? ²⁹ E vieram para Jacó, seu pai, na terra de Canaã; e contaram-lhe tudo o que lhes aconteceu, dizendo: ³⁰ O homem, o senhor da terra, falou conosco asperamente, e tratou-nos como espias da terra; ³¹ Mas dissemos-lhe: Somos homens de retidão; não somos espias; ³² Somos doze irmãos, filhos de nosso pai; um não mais existe, e o mais novo está hoje com nosso pai na terra de Canaã. ³³ E aquele homem, o senhor da terra, nos disse: Nisto conhecerei que vós sois homens de retidão; deixai comigo um de vossos irmãos, e tomai para a fome de vossas casas, e parti, ³⁴ E trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espias, mas homens de retidão; então vos darei o vosso irmão e negociareis na terra. ³⁵ E aconteceu que, despejando eles os seus sacos, eis que cada um tinha o pacote com seu dinheiro no seu saco; e viram os pacotes com seu dinheiro, eles e seu pai, e temeram. ³⁶ Então Jacó, seu pai, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; José já não existe e Simeão não está aqui; agora levareis a Benjamim. Todas estas coisas vieram sobre mim. ³⁷ Mas Rúben falou a seu pai, dizendo: Mata os meus dois filhos, se eu não tornar a trazê-lo para ti; entrega-o em minha mão, e tornarei a trazê-lo. ³⁸ Ele porém disse: Não descerá meu filho convosco; porquanto o seu irmão é morto, e só ele ficou. Se lhe suceder algum desastre no caminho por onde fordes, fareis descer meus cabelos brancos com tristeza à sepultura.

CAP-43

¹ E a fome era gravíssima na terra. ² E aconteceu que, como acabaram de comer o mantimento que trouxeram do Egito, disse-lhes seu pai: Voltai, comprai-nos um pouco de alimento. ³ Mas Judá respondeu-lhe, dizendo: Fortemente nos protestou aquele homem, dizendo: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier convosco. ⁴ Se enviares conosco o nosso irmão, desceremos e te compraremos alimento; ⁵ Mas se não o enviares, não desceremos; porquanto aquele homem nos disse: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier convosco. ⁶ E disse Israel: Por que me fizeste tal mal, fazendo saber àquele homem que tínheis ainda outro irmão? ⁷ E eles disseram: Aquele homem particularmente nos perguntou por nós, e pela nossa parentela, dizendo: Vive ainda vosso pai? Tendes mais um irmão? E respondemos-lhe conforme as mesmas palavras. Podíamos nós saber que diria: Trazei vosso irmão? ⁸ Então disse Judá a Israel, seu pai: Envia o jovem comigo, e levantar-nos-emos, e iremos, para que vivamos e não morramos, nem nós, nem tu, nem os nossos filhos. ⁹ Eu serei fiador por ele, da minha mão o requererás; se eu não o trouxer, e não o puser perante a tua face, serei réu de crime para contigo para sempre. ¹⁰ E se não nos tivéssemos detido, certamente já estaríamos segunda vez de volta. ¹¹ Então disse-lhes Israel, seu pai: Pois que assim é, fazei isso; tomai do mais precioso desta terra em vossos vasos, e levai ao homem um presente: um pouco do bálsamo e um pouco de mel, especiarias e mirra, terebinto e amêndoas; ¹² E tomai em vossas mãos dinheiro em dobro, e o dinheiro que voltou na boca dos vossos sacos tornai a levar em vossas mãos; bem pode ser que fosse erro. ¹³ Tomai também a vosso irmão, e levantai-vos e voltai àquele homem; ¹⁴ E Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia diante do homem, para que deixe vir convosco vosso outro irmão, e Benjamim; e eu, se for desfilhado, desfilhado ficarei. ¹⁵ E os homens tomaram aquele presente, e dinheiro em dobro em suas mãos, e a Benjamim; e levantaram-se, e desceram ao Egito, e apresentaram-se diante de José. ¹⁶ Vendo, pois, José a Benjamim com eles, disse ao que estava sobre a sua casa: Leva estes homens à casa, e mata reses, e prepara tudo; porque estes homens comerão comigo ao meio-dia. ¹⁷ E o homem fez como José dissera, e o homem levou aqueles homens à casa de José. ¹⁸ Então temeram aqueles homens, porquanto foram levados à casa de José, e diziam: Por causa do dinheiro que dantes voltou nos nossos sacos, fomos trazidos aqui, para nos incriminar e cair sobre nós, para que nos tome por servos, e a nossos jumentos. ¹⁹ Por isso chegaram-se ao homem que estava sobre a casa de José, e falaram com ele à porta da casa, ²⁰ E disseram: Ai! Senhor meu, certamente descemos dantes a comprar mantimento; ²¹ E aconteceu que, chegando à estalagem, e abrindo os nossos sacos, eis que o dinheiro de cada um estava na boca do seu saco, nosso dinheiro por seu peso; e tornamos a trazê-lo em nossas mãos; ²² Também trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos nossos sacos. ²³ E ele disse: Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de vosso pai, vos tem dado um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro me chegou a mim. E trouxe-lhes fora a Simeão. ²⁴ Depois levou os homens à casa de José, e deu-lhes água, e lavaram os seus pés; também deu pasto aos seus jumentos. ²⁵ E prepararam o presente, para quando José viesse ao meio-dia; porque tinham ouvido que ali haviam de comer pão. ²⁶ Vindo, pois, José à casa, trouxeram-lhe ali o presente que tinham em suas mãos; e inclinaram-se a ele até à terra. ²⁷ E ele lhes perguntou como estavam, e disse: Vosso pai, o ancião de quem falastes, está bem? Ainda vive? ²⁸ E eles disseram: Bem está o teu servo, nosso pai vive ainda. E abaixaram a cabeça, e inclinaram-se. ²⁹ E ele levantou os seus olhos, e viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e disse: Este é vosso irmão mais novo de quem falastes? Depois ele disse: Deus te dê a sua graça, meu filho. ³⁰ E José apressou-se, porque as suas entranhas comoveram-se por causa do seu irmão, e procurou onde chorar; e entrou na câmara, e chorou ali. ³¹ Depois lavou o seu rosto, e saiu; e conteve-se, e disse: Ponde pão. ³² E serviram-lhe à parte, e a eles também à parte, e aos egípcios, que comiam com ele, à parte; porque os egípcios não podem comer pão com os hebreus, porquanto é abominação para os egípcios. ³³ E assentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura, e o menor segundo a sua menoridade; do que os homens se maravilhavam entre si. ³⁴ E apresentou-lhes as porções que estavam diante dele; porém a porção de Benjamim era cinco vezes maior do que as porções deles todos. E eles beberam, e se regalaram com ele.

CAP-44

¹ E deu ordem ao que estava sobre a sua casa, dizendo: Enche de mantimento os sacos destes homens, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada um na boca do seu saco. ² E o meu copo, o copo de prata, porás na boca do saco do mais novo, com o dinheiro do seu trigo. E fez conforme a palavra que José tinha dito. ³ Vinda a luz da manhã, despediram-se estes homens, eles com os seus jumentos. ⁴ Saindo eles da cidade, e não se havendo ainda distanciado, disse José ao que estava sobre a sua casa: Levanta-te, e persegue aqueles homens; e, alcançando-os, lhes dirás: Por que pagastes mal por bem? ⁵ Não é este o copo em que bebe meu senhor e pelo qual bem adivinha? Procedestes mal no que fizestes. ⁶ E alcançou-os, e falou-lhes as mesmas palavras. ⁷ E eles disseram-lhe: Por que diz meu senhor tais palavras? Longe estejam teus servos de fazerem semelhante coisa. ⁸ Eis que o dinheiro, que temos achado nas bocas dos nossos sacos, te tornamos a trazer desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor prata ou ouro? ⁹ Aquele, com quem de teus servos for achado, morra; e ainda nós seremos escravos do meu senhor. ¹⁰ E ele disse: Ora seja também assim conforme as vossas palavras; aquele com quem se achar será meu escravo, porém vós sereis desculpados. ¹¹ E eles apressaram-se e cada um pôs em terra o seu saco, e cada um abriu o seu saco. ¹² E buscou, começando do maior, e acabando no mais novo; e achou-se o copo no saco de Benjamim. ¹³ Então rasgaram as suas vestes, e carregou cada um o seu jumento, e tornaram à cidade. ¹⁴ E veio Judá com os seus irmãos à casa de José, porque ele ainda estava ali; e prostraram-se diante dele em terra. ¹⁵ E disse-lhes José: Que é isto que fizestes? Não sabeis vós que um homem como eu pode, muito bem, adivinhar? ¹⁶ Então disse Judá: Que diremos a meu senhor? Que falaremos? E como nos justificaremos? Achou Deus a iniquidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achado o copo. ¹⁷ Mas ele disse: Longe de mim que eu tal faça; o homem em cuja mão o copo foi achado, esse será meu servo; porém vós, subi em paz para vosso pai. ¹⁸ Então Judá se chegou a ele, e disse: Ai! Senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó. ¹⁹ Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo: Tendes vós pai, ou irmão? ²⁰ E dissemos a meu senhor: Temos um velho pai, e um filho da sua velhice, o mais novo, cujo irmão é morto; e só ele ficou de sua mãe, e seu pai o ama. ²¹ Então tu disseste a teus servos: Trazei-mo a mim, e porei os meus olhos sobre ele. ²² E nós dissemos a meu senhor: Aquele moço não poderá deixar a seu pai; se deixar a seu pai, este morrerá. ²³ Então tu disseste a teus servos: Se vosso irmão mais novo não descer convosco, nunca mais vereis a minha face. ²⁴ E aconteceu que, subindo nós a teu servo meu pai, e contando-lhe as palavras de meu senhor, ²⁵ Disse nosso pai: Voltai, comprai-nos um pouco de mantimento. ²⁶ E nós dissemos: Não poderemos descer; mas, se nosso irmão menor for conosco, desceremos; pois não poderemos ver a face do homem se este nosso irmão menor não estiver conosco. ²⁷ Então disse-nos teu servo, meu pai: Vós sabeis que minha mulher me deu dois filhos; ²⁸ E um ausentou-se de mim, e eu disse: Certamente foi despedaçado, e não o tenho visto até agora; ²⁹ Se agora também tirardes a este da minha face, e lhe acontecer algum desastre, fareis descer os meus cabelos brancos com aflição à sepultura. ³⁰ Agora, pois, indo eu a teu servo, meu pai, e o moço não indo conosco, como a sua alma está ligada com a alma dele, ³¹ Acontecerá que, vendo ele que o moço ali não está, morrerá; e teus servos farão descer os cabelos brancos de teu servo, nosso pai, com tristeza à sepultura. ³² Porque teu servo se deu por fiador por este moço para com meu pai, dizendo: Se eu o não tornar para ti, serei culpado para com meu pai por todos os dias. ³³ Agora, pois, fique teu servo em lugar deste moço por escravo de meu senhor, e que suba o moço com os seus irmãos. ³⁴ Porque, como subirei eu a meu pai, se o moço não for comigo? Para que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai.

CAP-45

¹ Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei sair daqui a todo o homem; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos. ² E levantou a sua voz com choro, de maneira que os egípcios o ouviam, e a casa de Faraó o ouviu. ³ E disse José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus irmãos não lhe puderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face. ⁴ E disse José a seus irmãos: Peço-vos, chegai-vos a mim. E chegaram-se; então disse ele: Eu sou José vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. ⁵ Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. ⁶ Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. ⁷ Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. ⁸ Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito. ⁹ Apressai-vos, e subi a meu pai, e dizei-lhe: Assim tem dito o teu filho José: Deus me tem posto por senhor em toda a terra do Egito; desce a mim, e não te demores; ¹⁰ E habitarás na terra de Gósen, e estarás perto de mim, tu e os teus filhos, e os filhos dos teus filhos, e as tuas ovelhas, e as tuas vacas, e tudo o que tens. ¹¹ E ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome, para que não pereças de pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens. ¹² E eis que vossos olhos, e os olhos de meu irmão Benjamim, veem que é minha boca que vos fala. ¹³ E fazei saber a meu pai toda a minha glória no Egito, e tudo o que tendes visto, e apressai-vos a fazer descer meu pai para cá. ¹⁴ E lançou-se ao pescoço de Benjamim seu irmão, e chorou; e Benjamim chorou também ao seu pescoço. ¹⁵ E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; e depois seus irmãos falaram com ele. ¹⁶ E esta notícia ouviu-se na casa de Faraó, dizendo: Os irmãos de José são vindos; e pareceu bem aos olhos de Faraó, e aos olhos de seus servos. ¹⁷ E disse Faraó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto: carregai os vossos animais e parti, tornai à terra de Canaã. ¹⁸ E tomai a vosso pai, e às vossas famílias, e vinde a mim; e eu vos darei o melhor da terra do Egito, e comereis da fartura da terra. ¹⁹ A ti, pois, é ordenado: Fazei isto: tomai vós da terra do Egito carros para vossos meninos, para vossas mulheres, e trazei vosso pai, e vinde. ²⁰ E não vos pese coisa alguma dos vossos utensílios; porque o melhor de toda a terra do Egito será vosso. ²¹ E os filhos de Israel fizeram assim. E José deu-lhes carros, conforme o mandado de Faraó; também lhes deu comida para o caminho. ²² A todos lhes deu, a cada um, mudas de roupas; mas a Benjamim deu trezentas peças de prata, e cinco mudas de roupas. ²³ E a seu pai enviou semelhantemente dez jumentos carregados do melhor do Egito, e dez jumentos carregados de trigo e pão, e comida para seu pai, para o caminho. ²⁴ E despediu os seus irmãos, e partiram; e disse-lhes: Não contendais pelo caminho. ²⁵ E subiram do Egito, e vieram à terra de Canaã, a Jacó seu pai. ²⁶ Então lhe anunciaram, dizendo: José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava. ²⁷ Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras de José, que ele lhes falara, e vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito de Jacó seu pai. ²⁸ E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que morra.

CAP-46

¹ E partiu Israel com tudo quanto tinha, e veio a Berseba, e ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaque. ² E falou Deus a Israel em visões de noite, e disse: Jacó, Jacó! E ele disse: Eis-me aqui. ³ E disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer ao Egito, porque eu te farei ali uma grande nação. ⁴ E descerei contigo ao Egito, e certamente te farei tornar a subir, e José porá a sua mão sobre os teus olhos. ⁵ Então levantou-se Jacó de Berseba; e os filhos de Israel levaram a seu pai Jacó, e seus meninos, e as suas mulheres, nos carros que Faraó enviara para o levar. ⁶ E tomaram o seu gado e os seus bens que tinham adquirido na terra de Canaã, e vieram ao Egito, Jacó e toda a sua descendência com ele; ⁷ Os seus filhos e os filhos de seus filhos com ele, as filhas, e as filhas de seus filhos, e toda a sua descendência levou consigo ao Egito. ⁸ E estes são os nomes dos filhos de Israel, que vieram ao Egito, Jacó e seus filhos: Rúben, o primogênito de Jacó. ⁹ E os filhos de Rúben: Enoque, Palu, Hezrom e Carmi. ¹⁰ E os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho de uma mulher cananeia. ¹¹ E os filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari. ¹² E os filhos de Judá: Er, Onã, Selá, Perez e Zerá; Er e Onã, porém, morreram na terra de Canaã; e os filhos de Perez foram Hezrom e Hamul. ¹³ E os filhos de Issacar: Tola, Puva, Jó e Sinrom. ¹⁴ E os filhos de Zebulom: Serede, Elom e Jaleel. ¹⁵ Estes são os filhos de Lia, que ela deu à luz a Jacó em Padã-Arã, além de Diná, sua filha; todas as almas de seus filhos e de suas filhas foram trinta e três. ¹⁶ E os filhos de Gade: Zifiom, Hagi, Suni, Esbom, Eri, Arodi e Areli. ¹⁷ E os filhos de Aser: Imna, Isvá, Isvi, Berias e Sera, a irmã deles; e os filhos de Berias: Héber e Malquiel. ¹⁸ Estes são os filhos de Zilpa, a qual Labão deu à sua filha Lia; e deu à luz a Jacó estas dezesseis almas. ¹⁹ Os filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim. ²⁰ E nasceram a José na terra do Egito, Manassés e Efraim, que lhe deu à luz Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. ²¹ E os filhos de Benjamim: Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã, Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde. ²² Estes são os filhos de Raquel, que nasceram a Jacó, ao todo catorze almas. ²³ E os filhos de Dã: Husim. ²⁴ E os filhos de Naftali: Jazeel, Guni, Jezer e Silém. ²⁵ Estes são os filhos de Bila, a qual Labão deu à sua filha Raquel; e deu à luz estes a Jacó; todas as almas foram sete. ²⁶ Todas as almas que vieram com Jacó ao Egito, que saíram dos seus lombos, fora as mulheres dos filhos de Jacó, todas foram sessenta e seis almas. ²⁷ E os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, eram setenta. ²⁸ E Jacó enviou Judá adiante de si a José, para o encaminhar a Gósen; e chegaram à terra de Gósen. ²⁹ Então José aprontou o seu carro, e subiu ao encontro de Israel, seu pai, a Gósen. E, apresentando-se-lhe, lançou-se ao seu pescoço, e chorou sobre o seu pescoço longo tempo. ³⁰ E Israel disse a José: Morra eu agora, pois já tenho visto o teu rosto, que ainda vives. ³¹ Depois disse José a seus irmãos, e à casa de seu pai: Eu subirei e anunciarei a Faraó, e lhe direi: Meus irmãos e a casa de meu pai, que estavam na terra de Canaã, vieram a mim! ³² E os homens são pastores de ovelhas, porque são homens de gado, e trouxeram consigo as suas ovelhas, e as suas vacas, e tudo o que têm. ³³ Quando, pois, acontecer que Faraó vos chamar, e disser: Qual é o vosso negócio? ³⁴ Então direis: Teus servos foram homens de gado desde a nossa mocidade até agora, tanto nós como os nossos pais; para que habiteis na terra de Gósen, porque todo o pastor de ovelhas é abominação aos egípcios.

CAP-47

¹ Então veio José e anunciou a Faraó, e disse: Meu pai e os meus irmãos e as suas ovelhas, e as suas vacas, com tudo o que tem, são vindos da terra de Canaã, e eis que estão na terra de Gósen. ² E tomou uma parte de seus irmãos, a saber, cinco homens, e os pôs diante de Faraó. ³ Então disse Faraó a seus irmãos: Qual é o vosso negócio? E eles disseram a Faraó: Teus servos são pastores de ovelhas, tanto nós como nossos pais. ⁴ Disseram mais a Faraó: Viemos para peregrinar nesta terra; porque não há pasto para as ovelhas de teus servos, porquanto a fome é grave na terra de Canaã; agora, pois, rogamos-te que teus servos habitem na terra de Gósen. ⁵ Então falou Faraó a José, dizendo: Teu pai e teus irmãos vieram a ti; ⁶ A terra do Egito está diante de ti; no melhor da terra faze habitar teu pai e teus irmãos; habitem na terra de Gósen, e se sabes que entre eles há homens valentes, os porás por maiorais do gado, sobre o que eu tenho. ⁷ E trouxe José a Jacó, seu pai, e o apresentou a Faraó; e Jacó abençoou a Faraó. ⁸ E Faraó disse a Jacó: Quantos são os dias dos anos da tua vida? ⁹ E Jacó disse a Faraó: Os dias dos anos das minhas peregrinações são cento e trinta anos, poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida, e não chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais nos dias das suas peregrinações. ¹⁰ E Jacó abençoou a Faraó, e saiu da sua presença. ¹¹ E José fez habitar a seu pai e seus irmãos e deu-lhes possessão na terra do Egito, no melhor da terra, na terra de Ramessés, como Faraó ordenara. ¹² E José sustentou de pão a seu pai, seus irmãos e toda a casa de seu pai, segundo as suas famílias. ¹³ E não havia pão em toda a terra, porque a fome era muito grave; de modo que a terra do Egito e a terra de Canaã desfaleciam por causa da fome. ¹⁴ Então José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egito, e na terra de Canaã, pelo trigo que compravam; e José trouxe o dinheiro à casa de Faraó. ¹⁵ Acabando-se, pois, o dinheiro da terra do Egito, e da terra de Canaã, vieram todos os egípcios a José, dizendo: Dá-nos pão; por que morreremos em tua presença? Porquanto o dinheiro nos falta. ¹⁶ E José disse: Dai o vosso gado, e eu vo-lo darei por vosso gado, se falta o dinheiro. ¹⁷ Então trouxeram o seu gado a José; e José deu-lhes pão em troca de cavalos, e pelo rebanho das ovelhas, e pelo rebanho das vacas e dos jumentos; e os sustentou de pão aquele ano por todo o seu gado. ¹⁸ E acabado aquele ano, vieram a ele no segundo ano e disseram-lhe: Não ocultaremos ao meu senhor que o dinheiro acabou; e meu senhor possui os rebanhos de animais, e nenhuma outra coisa nos ficou diante de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra; ¹⁹ Por que morreremos diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra? Compra-nos a nós e a nossa terra por pão, e nós e a nossa terra seremos servos de Faraó; e dá-nos semente, para que vivamos, e não morramos, e a terra não se desole. ²⁰ Assim José comprou toda a terra do Egito para Faraó, porque os egípcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome prevaleceu sobre eles; e a terra ficou sendo de Faraó. ²¹ E, quanto ao povo, fê-lo passar às cidades, desde uma extremidade da terra do Egito até a outra extremidade. ²² Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes tinham porção de Faraó, e eles comiam a sua porção que Faraó lhes tinha dado; por isso não venderam a sua terra. ²³ Então disse José ao povo: Eis que hoje tenho comprado a vós e a vossa terra para Faraó; eis aí tendes semente para vós, para que semeeis a terra. ²⁴ Há de ser, porém, que das colheitas dareis o quinto a Faraó, e as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento, e dos que estão nas vossas casas, e para que comam vossos filhos. ²⁵ E disseram: A vida nos tens dado; achemos graça aos olhos de meu senhor, e seremos servos de Faraó. ²⁶ José, pois, estabeleceu isto por estatuto, até ao dia de hoje, sobre a terra do Egito, que Faraó tirasse o quinto; só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó. ²⁷ Assim habitou Israel na terra do Egito, na terra de Gósen, e nela tomaram possessão, e frutificaram, e multiplicaram-se muito. ²⁸ E Jacó viveu na terra do Egito dezessete anos, de sorte que os dias de Jacó, os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete anos. ²⁹ Chegando-se, pois, o tempo da morte de Israel, chamou a José, seu filho, e disse-lhe: Se agora tenho achado graça em teus olhos, rogo-te que ponhas a tua mão debaixo da minha coxa, e usa comigo de beneficência e verdade; rogo-te que não me enterres no Egito, ³⁰ Mas que eu jaza com os meus pais; por isso me levarás do Egito e me enterrarás na sepultura deles. E ele disse: Farei conforme a tua palavra. ³¹ E disse ele: Jura-me. E ele jurou-lhe; e Israel inclinou-se sobre a cabeceira da cama.

CAP-48

¹ E aconteceu, depois destas coisas, que alguém disse a José: Eis que teu pai está enfermo. Então tomou consigo os seus dois filhos, Manassés e Efraim. ² E alguém participou a Jacó, e disse: Eis que José teu filho vem a ti. E esforçou-se Israel, e assentou-se sobre a cama. ³ E Jacó disse a José: O Deus Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de Canaã, e me abençoou. ⁴ E me disse: Eis que te farei frutificar e multiplicar, e tornar-te-ei uma multidão de povos e darei esta terra à tua descendência depois de ti, em possessão perpétua. ⁵ Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão; ⁶ Mas a tua geração, que gerarás depois deles, será tua; segundo o nome de seus irmãos serão chamados na sua herança. ⁷ Vindo, pois, eu de Padã, morreu-me Raquel no caminho, na terra de Canaã, havendo ainda pequena distância para chegar a Efrata; e eu a sepultei ali, no caminho de Efrata, que é Belém. ⁸ E Israel viu os filhos de José, e disse: Quem são estes? ⁹ E José disse a seu pai: Eles são meus filhos, que Deus me tem dado aqui. E ele disse: Peço-te, traze-mos aqui, para que os abençoe. ¹⁰ Os olhos de Israel, porém, estavam carregados de velhice, já não podia ver; e fê-los chegar a ele, e beijou-os, e abraçou-os. ¹¹ E Israel disse a José: Eu não cuidara ver o teu rosto; e eis que Deus me fez ver também a tua descendência. ¹² Então José os tirou dos joelhos de seu pai, e inclinou sua face à terra. ¹³ E tomou José a ambos, a Efraim na sua mão direita, à esquerda de Israel, e Manassés na sua mão esquerda, à direita de Israel, e fê-los chegar a ele. ¹⁴ Mas Israel estendeu a sua mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, que era o menor, e a sua esquerda sobre a cabeça de Manassés, dirigindo as suas mãos propositadamente, não obstante Manassés ser o primogênito. ¹⁵ E abençoou a José, e disse: O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia; ¹⁶ O anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes, e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaque, e multipliquem-se como peixes, em multidão, no meio da terra. ¹⁷ Vendo, pois, José que seu pai punha a sua mão direita sobre a cabeça de Efraim, foi mau aos seus olhos; e tomou a mão de seu pai, para a transpor de sobre a cabeça de Efraim à cabeça de Manassés. ¹⁸ E José disse a seu pai: Não assim, meu pai, porque este é o primogênito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça. ¹⁹ Mas seu pai recusou, e disse: Eu o sei, meu filho, eu o sei; também ele será um povo, e também ele será grande; contudo o seu irmão menor será maior que ele, e a sua descendência será uma multidão de nações. ²⁰ Assim os abençoou naquele dia, dizendo: Em ti abençoará Israel, dizendo: Deus te faça como a Efraim e como a Manassés. E pôs a Efraim diante de Manassés. ²¹ Depois disse Israel a José: Eis que eu morro, mas Deus será convosco, e vos fará tornar à terra de vossos pais. ²² E eu tenho dado a ti um pedaço da terra a mais do que a teus irmãos, que tomei com a minha espada e com o meu arco, da mão dos amorreus.

CAP-49

¹ Depois chamou Jacó a seus filhos, e disse: Ajuntai-vos, e anunciar-vos-ei o que vos há de acontecer nos dias vindouros; ² Ajuntai-vos, e ouvi, filhos de Jacó; e ouvi a Israel vosso pai. ³ Rúben, tu és meu primogênito, minha força e o princípio de meu vigor, o mais excelente em alteza e o mais excelente em poder. ⁴ Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porquanto subiste ao leito de teu pai. Então o contaminaste; subiu à minha cama. ⁵ Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. ⁶ No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram um homem, e na sua teima arrebataram bois. ⁷ Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; eu os dividirei em Jacó, e os espalharei em Israel. ⁸ Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. ⁹ Judá é um leãozinho, da presa subiste, filho meu; encurva-se, e deita-se como um leão, e como um leão velho; quem o despertará? ¹⁰ O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos. ¹¹ Ele amarrará o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à cepa mais excelente; ele lavará a sua roupa no vinho, e a sua capa em sangue de uvas. ¹² Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite. ¹³ Zebulom habitará no porto dos mares, e será como porto dos navios, e o seu termo será para Sidom. ¹⁴ Issacar é jumento de fortes ossos, deitado entre dois fardos. ¹⁵ E viu ele que o descanso era bom, e que a terra era deliciosa e abaixou seu ombro para acarretar, e serviu debaixo de tributo. ¹⁶ Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. ¹⁷ Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás. ¹⁸ A tua salvação espero, ó Senhor! ¹⁹ Quanto a Gade, uma tropa o acometerá; mas ele a acometerá por fim. ²⁰ De Aser, o seu pão será gordo, e ele dará delícias reais. ²¹ Naftali é uma gazela solta; ele dá palavras formosas. ²² José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro. ²³ Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e odiaram. ²⁴ O seu arco, porém, susteve-se no forte, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacó (de onde é o pastor e a pedra de Israel). ²⁵ Pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos altos céus, com bênçãos do abismo que está embaixo, com bênçãos dos seios e da madre. ²⁶ As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até à extremidade dos outeiros eternos; elas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado de seus irmãos. ²⁷ Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã comerá a presa, e à tarde repartirá o despojo. ²⁸ Todas estas são as doze tribos de Israel; e isto é o que lhes falou seu pai quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a sua bênção. ²⁹ Depois ordenou-lhes, e disse-lhes: Eu me congrego ao meu povo; sepultai-me com meus pais, na cova que está no campo de Efrom, o heteu, ³⁰ Na cova que está no campo de Macpela, que está em frente de Manre, na terra de Canaã, a qual Abraão comprou com aquele campo de Efrom, o heteu, por herança de sepultura. ³¹ Ali sepultaram a Abraão e a Sara sua mulher; ali sepultaram a Isaque e a Rebeca sua mulher; e ali eu sepultei a Lia. ³² O campo e a cova que está nele, foram comprados aos filhos de Hete. ³³ Acabando, pois, Jacó de dar instruções a seus filhos, encolheu os pés na cama, e expirou, e foi congregado ao seu povo.

CAP-50

¹ Então José se lançou sobre o rosto de seu pai e chorou sobre ele, e o beijou. ² E José ordenou aos seus servos, os médicos, que embalsamassem a seu pai; e os médicos embalsamaram a Israel. ³ E cumpriram-se-lhe quarenta dias; porque assim se cumprem os dias daqueles que se embalsamam; e os egípcios o choraram setenta dias. ⁴ Passados, pois, os dias de seu choro, falou José à casa de Faraó, dizendo: Se agora tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que faleis aos ouvidos de Faraó, dizendo: ⁵ Meu pai me fez jurar, dizendo: Eis que eu morro; em meu sepulcro, que cavei para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, te peço, que eu suba, para que sepulte a meu pai; então voltarei. ⁶ E Faraó disse: Sobe, e sepulta a teu pai como ele te fez jurar. ⁷ E José subiu para sepultar a seu pai; e subiram com ele todos os servos de Faraó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egito. ⁸ Como também toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pai; somente deixaram na terra de Gósen os seus meninos, e as suas ovelhas e as suas vacas. ⁹ E subiram também com ele, tanto carros como gente a cavalo; e o cortejo foi grandíssimo. ¹⁰ Chegando eles, pois, à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram um grande e dolorido pranto; e fez a seu pai uma grande lamentação por sete dias. ¹¹ E vendo os moradores da terra, os cananeus, o luto na eira de Atade, disseram: É este o pranto grande dos egípcios. Por isso chamou-se-lhe Abel-Mizraim, que está além do Jordão. ¹² E fizeram-lhe os seus filhos assim como ele lhes ordenara. ¹³ Pois os seus filhos o levaram à terra de Canaã, e o sepultaram na cova do campo de Macpela, que Abraão tinha comprado com o campo, por herança de sepultura de Efrom, o heteu, em frente de Manre. ¹⁴ Depois de haver sepultado seu pai, voltou José para o Egito, ele e seus irmãos, e todos os que com ele subiram a sepultar seu pai. ¹⁵ Vendo então os irmãos de José que seu pai já estava morto, disseram: Porventura nos odiará José e certamente nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos. ¹⁶ Portanto mandaram dizer a José: Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo: ¹⁷ Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. E José chorou quando eles lhe falavam. ¹⁸ Depois vieram também seus irmãos, e prostraram-se diante dele, e disseram: Eis-nos aqui por teus servos. ¹⁹ E José lhes disse: Não temais; porventura estou eu em lugar de Deus? ²⁰ Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida. ²¹ Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos filhos. Assim os consolou, e falou segundo o coração deles. ²² José, pois, habitou no Egito, ele e a casa de seu pai; e viveu José cento e dez anos. ²³ E viu José os filhos de Efraim, da terceira geração; também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José. ²⁴ E disse José a seus irmãos: Eu morro; mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra à terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó. ²⁵ E José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente vos visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos daqui. ²⁶ E morreu José da idade de cento e dez anos, e o embalsamaram e o puseram num caixão no Egito.

CAP-25

Aqui